O Citigroup vai oferecer a empresas japonesas transferências internacionais instantâneas por meio de depósitos tokenizados, representações digitais de saldos bancários que circulam em blockchain, ainda em 2026. Segundo a Nikkei Asia, seria o primeiro serviço do tipo por um banco estrangeiro a clientes corporativos no Japão, com envio em moeda estrangeira a qualquer hora, à noite e em feriados.
O Citi em pagamentos digitais
| Indicador |
Valor |
| Recursos movimentados por dia |
US$ 6 trilhões |
| Só depósitos tokenizados |
US$ 1 bilhão |
| Operações ligadas ao Japão |
EUA, Reino Unido, Cingapura, Hong Kong e Irlanda |
Volumes do Citi e mercados do novo serviço. Fonte: Nikkei Asia
Como funcionam os depósitos tokenizados
O mecanismo se aproxima do das stablecoins: o banco transforma saldos de clientes em fichas digitais que circulam por uma rede blockchain, sem sair da estrutura financeira regulada. O ganho não está no valor, e sim no calendário. Remessas convencionais esbarram no expediente bancário e nas janelas de liquidação, ao passo que a versão tokenizada dispensa o adiantamento de recursos que hoje trava capital nas pontas e libera o envio a qualquer hora.
Na prática, uma companhia sediada em Tóquio conseguirá enviar divisas em segundos para cinco praças onde o Citi opera, com o próprio banco assumindo a papelada e o controle de risco da operação. Testes de liquidação ininterrupta já circulam pelo setor: em julho, a Anchorage lançou depósito tokenizado 24/7 para bancos nos Estados Unidos.
A aposta do Citi na Ásia-Pacífico
Tóquio está entre as cinco praças mais estratégicas do banco no mundo. Segundo Shahmir Khaliq, chefe da divisão de serviços do Citi, em entrevista à Nikkei Asia, seria a primeira vez que um banco de fora do país leva uma solução desse tipo ao segmento corporativo japonês. Levar o produto ao país, na leitura do executivo, ajuda a fechar a malha da instituição pelos grandes centros asiáticos.
O plano não termina nas empresas japonesas. Mais adiante, o banco quer que as fichas digitais também transitem entre a sua rede e a de concorrentes, um salto de interoperabilidade que depende de padrões compartilhados. Para chegar lá, desenvolve a arquitetura junto da Swift e da The Clearing House, dona de uma das redes de pagamento dos EUA. A casa já roda transações ao vivo na blockchain do Swift.
O que observar
O movimento coloca os grandes bancos globais de transação disputando, com trilhos próprios, o mesmo terreno que as emissoras de stablecoin miram: liquidação instantânea entre fusos e fora do horário bancário. Para tesourarias de multinacionais, o ponto a acompanhar é operacional, se a promessa de dispensar o adiantamento de recursos reduz de fato o capital parado em contas espelho ao redor do mundo.
Vale acompanhar também se a interoperabilidade entre redes de bancos diferentes sai do plano de intenção. Enquanto cada instituição opera sua própria rede fechada, o alcance fica limitado às praças do emissor. A pergunta é se operadores de infraestrutura de pagamentos e reguladores vão convergir para um padrão comum antes que os trilhos privados se multipliquem.
Fontes: Nikkei Asia • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money