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Citi troca varejo por atacado e cresce na América Latina

O Citi reinvestiu no atacado o dinheiro da saída do varejo, quase dobrou a operação na América Latina em cinco anos e vai abrir seu 20º país.

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Artem Avetisyan / Shutterstock.com

O Citi apostou que crescer na América Latina passava por abandonar de vez a pessoa física. Cada centavo que entrou com a saída do varejo foi direcionado ao atacado e, pelas contas do CEO para a região, Julio Figueroa, a franquia latino-americana quase dobrou num intervalo de cinco anos.

As quatro frentes do Citi no atacado da América Latina

Frente de negócio Posição declarada pelo banco
Serviços financeiros (caixa, pagamentos, trade finance) Liderança, cerca de 25% do mercado regional
Markets (câmbio, juros e ações) Liderança, 15%
Banking (investimento e M&A) 1º lugar, 14%
Wealth (gestão de patrimônio) Frente em expansão, sem fatia informada

Participações informadas por Julio Figueroa, CEO do Citi para a América Latina. Fonte: Bloomberg Línea

Dinheiro do varejo virou combustível do atacado

A lógica financeira é simples: o que entrou com a venda dos ativos de consumo foi redirecionado para as mesas de investimento, câmbio, serviços de caixa e patrimônio. A franquia latino-americana emprega hoje perto de 10 mil pessoas e já superou o porte que tinha quando ainda brigava pelo consumidor final, cerca de uma década antes. “Nós estamos, na verdade, duplicando nosso compromisso com os países, porque todo o recurso obtido com os desinvestimentos foi mais do que reinvestido no negócio de atacado”, disse Figueroa, que passou por São Paulo para a conferência de equities do banco.

O recuo no varejo vem de longe. No Brasil, o banco entregou essa carteira ao Itaú em 2016. No México, a decisão de sair amadureceu a partir de 2022 e o desmembramento, fechado em 2024, deixou o atendimento a consumidores dentro do Banamex. Desde então, o grupo americano foi fatiando sua posição no banco mexicano: 25% ficaram com o investidor Fernando Chico Pardo em dezembro de 2025 e outra parcela de 24% foi repassada em fevereiro de 2026 a um grupo de compradores, entre eles o BTG Pactual, em lotes de até 5% cada. Foi essa troca do varejo pela ambição no atacado mexicano que virou modelo para o restante da região.

Guiana amplia o mapa do Citi na América Latina

O braço físico segue a mesma cartilha. Está a caminho um escritório na Guiana, que passará a ser o 20º território atendido pelo banco no bloco regional e caribenho, ante 19 até agora. A inauguração deve sair em setembro e nasce da corrida do país vizinho por energia. “Nossos clientes têm nos pedido auxílio porque estão investindo muito em petróleo e gás”, afirmou o executivo.

Ainda assim, o centro de gravidade continua no Brasil, tratado por Figueroa como a praça de maior potencial de crescimento, na frente de México, Argentina e Colômbia. Para 2026, o banco vê a porta aberta para mais transações de banca de investimento na região: sem eleições na maior parte dos países e com fundos de pensão abastecidos, sobretudo no México, sobra espaço para destravar mandatos. No horizonte mais longo pesa o corredor comercial com a China: em 2000, essa troca somava US$ 20 bilhões ao ano; hoje, beira os US$ 550 bilhões.

O que observar

O movimento reforça uma escolha que vários bancos internacionais vêm fazendo na América Latina: trocar a escala do varejo pela margem do atacado e da gestão de patrimônio. Vale acompanhar se essa concentração se sustenta quando o ciclo de commodities perder força, já que boa parte da tese de crescimento se apoia na demanda por energia, alimentos e minerais críticos. Outra pergunta em aberto é o quanto o funil de banco de investimento depende de um calendário sem eleições: se a agenda política esquentar antes do previsto, o apetite por grandes operações pode encolher rápido. Para instituições financeiras de médio porte e assessorias locais, a chegada reforçada de um banco global de atacado tende a acirrar a disputa por mandatos de fusões, câmbio e trade finance.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s Money

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