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Além do score: novas tecnologias ampliam acesso ao crédito no Brasil

Com 81,7 milhões de inadimplentes em 2026, CloQ defende score comportamental e open finance como camada complementar ao crédito tradicional no Brasil.

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· 3 min

Atualizado em

Rafa Cavalcanti, CEO da CloQ. Foto: Tijmen Hobbel

O Brasil atingiu 81,7 milhões de pessoas inadimplentes em 2026, segundo a Serasa Experian, em um cenário em que o acesso ao crédito ainda está fortemente atrelado a modelos tradicionais de score. Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros economicamente ativos seguem fora do radar dessas análises por falta de histórico formal.

Diante desse descompasso, tecnologias de avaliação alternativa passam a ganhar espaço ao incorporar variáveis como fluxo de renda, comportamento transacional e recorrência financeira, ampliando a leitura de risco e o potencial de concessão de crédito no país.

Crédito alternativo: o quadro que a CloQ apresenta

Indicador Valor
Inadimplentes no Brasil (2026) 81,7 milhões
Nano-empréstimos já concedidos pela CloQ +30 mil
Pessoas cadastradas na plataforma CloQ +150 mil
Ano de fundação da CloQ 2018

Dados do release de junho de 2026 da CloQ; total de inadimplentes via Serasa Experian; demais métricas via boilerplate da CloQ.

Score tradicional deixa de fora quem movimenta renda

Pela leitura da CloQ, fintech que desenvolveu um modelo de score comportamental para acesso a crédito, parte significativa dos brasileiros tem movimentação financeira e renda regular, mas não consegue evidenciar isso pelos modelos de avaliação clássicos. A empresa atua como correspondente bancária e foca em nano-empréstimos a clientes que ficam fora dos cortes tradicionais de score.

“Durante muito tempo, o crédito ficou concentrado em quem já tinha histórico consolidado. Isso limita o sistema, porque exclui pessoas que têm renda e movimentação financeira, mas não conseguem comprovar isso pelos modelos tradicionais. O que começa a mudar agora é a capacidade de olhar para o comportamento financeiro de forma mais ampla”, explica Rafaela Cavalcanti, CEO e cofundadora da CloQ.

Open finance amplia a leitura de risco

O movimento acompanha uma transformação estrutural no setor financeiro, impulsionada pela digitalização e pelo avanço de fintechs. Com maior disponibilidade de dados e integração via open finance, instituições passam a considerar informações que vão além do histórico de crédito clássico. Na prática, isso abre espaço para perfis historicamente sub-representados (como autônomos, trabalhadores informais e pessoas com renda variável), que passam a ser avaliados com base em sua dinâmica financeira real, e não apenas em registros passados.

Crédito alternativo combina acesso e educação financeira

Ao mesmo tempo, cresce a relevância de iniciativas que combinam acesso ao crédito com educação financeira. Modelos que trabalham com limites progressivos, acompanhamento de comportamento e comunicação simplificada tendem a incentivar decisões mais conscientes, especialmente entre públicos que estão tendo seu primeiro contato com o sistema financeiro formal. A leitura da CloQ é que o score comportamental atua como camada complementar, e não substituta, ao modelo tradicional.

“Não se trata de substituir o score, mas de complementar a análise com mais contexto. Quanto mais informação qualificada se tem sobre o comportamento financeiro, mais precisa tende a ser a avaliação de risco e isso naturalmente amplia o acesso ao crédito de forma mais sustentável”, completa a CEO da CloQ.

O que observar

O ângulo interessa principalmente a originadoras de microcrédito, sociedades de crédito direto, bancos digitais e fintechs que disputam a base fora do score tradicional, sobretudo autônomos, informais e trabalhadores de renda variável. Para o leitor que opera nesses segmentos, vale acompanhar como a integração via open finance vai aparecer nas decisões de limite, prazo e taxa, e em que medida modelos comportamentais como o da CloQ passam a entrar em parcerias com correspondentes bancários e bancos de varejo no segundo semestre.

Fontes:  CloQSerasa ExperianLet’s MoneyLet’s Money

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