A Coinbase começou a oferecer empréstimos em USDC a clientes britânicos usando bitcoin e ethereum como garantia. É a primeira expansão do produto Borrow fora dos Estados Unidos, onde desde janeiro de 2025 já foram originados US$ 2,17 bilhões em empréstimos. No Brasil, o modelo de crédito com colateral em cripto já circula entre Mercado Bitcoin e Foxbit.
Parâmetros do Borrow da Coinbase no Reino Unido
| Parâmetro |
Valor |
| Colateral aceito |
Bitcoin, Ethereum |
| Moeda emprestada |
USDC |
| Limite máximo (BTC) |
US$ 5 milhões |
| Protocolo e rede |
Morpho, na rede Base |
| Taxa de juros |
Variável, calculada automaticamente |
| Volume nos EUA (desde jan/2025) |
US$ 2,17 bilhões |
Parâmetros do produto no Reino Unido. Fonte: Finextra
Como funciona o Borrow na Base
O cliente britânico deposita bitcoin ou ethereum num contrato inteligente da Morpho, recebe USDC e mantém a exposição ao ativo cripto. O colateral fica travado até a quitação. Segundo reportagem do The Block, a taxa é recalculada a cada bloco da rede Base, o LTV inicial chega a 75% e a liquidação automática dispara quando o empréstimo somado aos juros atinge cerca de 86% do colateral. Não há cronograma fixo de pagamento.
Nos Estados Unidos, onde o Borrow estreou em janeiro de 2025, o produto passou a aceitar cbETH, XRP, ADA, DOGE e LTC no último ano. O Reino Unido é a primeira praça internacional e roda sob registro VASP obtido junto à FCA em fevereiro de 2025. O movimento soma a outras marcas institucionais da empresa, como a licença bancária federal nos EUA conquistada no começo deste mês.
Brasil já tem modelos de empréstimo cripto
O mercado brasileiro não espera a Coinbase. O Mercado Bitcoin lançou o CriptoCrédito em março, com liberação em reais em até cinco minutos, aceita bitcoin e ethereum como garantia e estabeleceu meta de R$ 100 milhões concedidos até o fim de 2026. “Iniciativas como essa ampliam o acesso dos brasileiros aos ativos digitais e aproximam o universo cripto do dia a dia das pessoas”, afirmou Lucas Lopes, presidente do Mercado Bitcoin, à Exame. A empresa projeta R$ 400 bilhões sob custódia até 2030.
A Foxbit foi a primeira corretora brasileira a oferecer crédito lastreado em cripto, em parceria com a Fenynx, com taxas a partir de 0,69% ao mês. A diferença para o Borrow está no trilho: os produtos locais rodam majoritariamente no balanço da exchange, enquanto a oferta britânica roda onchain, com liquidação automática em contrato inteligente.
O que observar
O modelo onchain carrega uma régua de liquidação dura: se o LTV atinge o gatilho, a posição é liquidada no mesmo bloco. Vale acompanhar o comportamento em cenários de volatilidade aguda, quando múltiplas posições podem cair ao mesmo tempo e pressionar ainda mais o preço dos colaterais. A aposta é se o formato onchain auditável resolve o risco de contraparte que derrubou o crédito cripto centralizado em 2022, ou apenas o transfere para o protocolo.
No mercado local, a pergunta é se a próxima rodada do Drex e as regras em discussão na CVM vão permitir que o crédito com colateral digital opere no mesmo trilho onchain das ofertas internacionais. Plataformas que já combinam custódia, stablecoin própria e originação de crédito avançam no caminho de banco digital com colateral digital, um arranjo que hoje convive fora do perímetro bancário tradicional.
Fontes: Finextra • The Block • Cointelegraph • Exame • Money Times • Let’s Money: Coinbase obtém licença bancária federal nos EUA • Let’s Money: Mercado Bitcoin mira R$ 400 bi até 2030