A Coinbase listou a tGBP, primeira stablecoin lastreada em libras esterlinas emitida por empresa registrada na FCA, enquanto pressiona por requisitos regulatórios menos restritivos no Reino Unido. No Brasil, fintechs britânicas já combinam Pix e stablecoins para transferências internacionais.
Stablecoins em números (2026)
| Indicador |
Valor |
| Capitalização do mercado |
US$ 300 bilhões |
| Volume de transações (12 meses) |
US$ 30 trilhões |
| Projeção de capitalização (2028) |
US$ 2 trilhões |
| Empresas de médio porte testando |
Mais de 40% |
| Com implementação real |
13% |
Mercado global de stablecoins. Fonte: PYMNTS
A tGBP e o caminho pelo sandbox britânico
A BCP Technologies, registrada na FCA desde 2021, quando ainda operava como BitcoinPoint, percorreu quatro anos no sandbox regulatório da autoridade britânica antes de trazer a tGBP ao mercado. O token ERC-20 é lastreado 1:1 em dinheiro em espécie e títulos de curto prazo do governo do Reino Unido, mantidos em contas segregadas. A tecnologia permite transferir libras via blockchain sem intermediários e sem exposição à volatilidade cambial, afirmou Benoit Marzouk, CEO da BCP Technologies.
A listagem ocorre dias depois de a exchange começar a oferecer empréstimos com criptomoedas como garantia a clientes britânicos, e meses após o lançamento de uma conta de poupança remunerada no país. Stablecoins denominadas em moeda local são essenciais para o papel do Reino Unido na economia digital on-chain, afirmou Keith Grose, responsável pela Coinbase no país.
Pressão regulatória enquanto UK define o framework
A Coinbase não poupa críticas à FCA ao consolidar sua presença local. A exchange argumenta contra exigências prudenciais que considera punitivas e contra qualquer teto regulatório à emissão de stablecoins, descrevendo essas restrições como um freio à inovação. A empresa também defende que stablecoins sejam permitidas como ativo de liquidação em mercados atacadistas fora do ambiente de testes da FCA, num cenário de produção real.
O framework britânico para stablecoins ainda está em elaboração, com implementação completa esperada para o final de 2026. O mercado brasileiro acompanha de perto: a fintech britânica Due apostou US$ 7,3 milhões para combinar Pix e stablecoins em transferências internacionais, e a Visa avança em infraestrutura similar com a BVNK.
O que observar
O processo de licenciamento britânico, com implementação esperada para o final de 2026, vai revelar quão rigorosas serão as exigências prudenciais definitivas. Se os requisitos finais incorporarem as restrições que exchanges criticam hoje, o mercado pode ver emissoras de stablecoins migrar para jurisdições com frameworks mais flexíveis. O movimento contrário também é plausível: regulação mais exigente pode ser exatamente o diferencial que atrai capital institucional em busca de segurança jurídica.
O ponto mais sensível é a abertura de mercados atacadistas fora do sandbox. Se a autoridade regulatória britânica ceder nesse ponto, abre precedente para volumes muito maiores de liquidação migrarem para trilhos de blockchain sem supervisão direta do ambiente controlado. Vale acompanhar se outros reguladores que constroem frameworks próprios no mesmo período vão adotar o modelo britânico como referência ou como contraponto.
Fontes: Finextra • PYMNTS • Crypto.news • Let’s Money • Let’s Money