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PesquisaIA · inteligência artificial

Adquirentes prontas para IA, mas só 32% dos lojistas seguem

Estudo com 75 adquirentes no Brasil, EUA e Emirados: 8/10 se dizem prontas para comércio agêntico, mas só 32% dos seus lojistas têm omnichannel.

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Shutterstock

Oito em cada dez adquirentes afirmam estar preparadas para o comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial fazem compras em nome dos consumidores, mas apenas 32% dos seus lojistas entregam experiências de pagamento integradas entre canais físicos e digitais. O contraste é o dado central do estudo da Visa com a PYMNTS Intelligence, realizado com 75 adquirentes no Brasil, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos em janeiro de 2026.

Desafios no comércio agêntico por país

País Principal barreira Preocupação regulatória / prontidão
Brasil Limitações dos lojistas (52%) 64% com preocupações regulatórias
EUA Tecnologia legada (52%) Gestão de risco entre canais (48%)
Emirados Árabes Fragmentação de infraestrutura (44%) 68% sem preparo para comércio agêntico

Pesquisa com 75 adquirentes (jan/2026). Fonte: Valor Econômico

A promessa do comércio agêntico e o gap com os lojistas

O índice de 32% de lojistas com experiências integradas entre canais online e offline, ante 80% das adquirentes que se dizem preparadas, concentra a contradição do estudo. No Brasil, o percentual cai para 31%. Entre as causas mais citadas estão o custo de integração (51% das adquirentes) e o tempo de implantação (41%). Limitações de sistemas legados, interoperabilidade e infraestrutura fragmentada completam a lista. Para o comércio agêntico funcionar, a base omnichannel precisa estar sólida: o agente de IA depende de dados unificados para agir com autonomia no ponto de venda.

“A IA deixa de ser apenas uma ferramenta de recomendação, passa a ser realmente uma participante ativa nessa jornada”, disse Gustavo Carvalho, vice-presidente de serviços de valor agregado da Visa do Brasil. Segundo ele, o avanço do modelo depende de infraestrutura baseada em confiança, identidade digital e consentimento. “A confiança aqui é fundamental, porque a IA passa a agir em nome de uma pessoa, em nome de um consumidor”, acrescentou.

Brasil: regulação e responsabilização em aberto

No Brasil, 64% das adquirentes apontaram preocupações regulatórias com pagamentos iniciados por IA, acima da média global de 49% que cita redução de incertezas regulatórias como prioridade para viabilizar o modelo. A divisão de responsabilidade também não está definida: 56% das adquirentes brasileiras atribuem às bandeiras a responsabilidade pela prevenção de fraudes em transações agênticas, enquanto 44% indicam as próprias credenciadoras como responsáveis pela verificação de identidade. Globalmente, 45% afirmam que será necessário redesenhar modelos de responsabilização para transações iniciadas por agentes autônomos, número que sobe para 48% no Brasil.

A Visa vem desenvolvendo plataformas específicas para o segmento, incluindo o Intelligent Commerce Connect, lançado mundialmente em abril de 2026 e em fase de negociação com parceiros locais no Brasil. Outras bandeiras seguem caminho similar: a Mastercard lançou protocolo de confiança para agentes de IA. No lado das credenciadoras, a Getnet já anunciou aposta no segmento. O setor como um todo sinaliza cautela: apenas 23% das adquirentes planejam acelerar proativamente o desenvolvimento do comércio agêntico; a maioria aguarda clareza regulatória, evolução de infraestrutura e sinais mais fortes de demanda.

O que observar

O principal gargalo não é tecnológico. Com 49% das adquirentes apontando redução de incertezas regulatórias como prioridade para viabilizar pagamentos por IA, e 64% no Brasil, o próximo sinal relevante pode vir do BC ou de outro regulador que se posicione sobre identidade digital de agentes e responsabilização em disputas. O Brasil tem especificidade adicional: diferentemente dos EUA, onde a barreira dominante é tecnologia legada, aqui as limitações dos próprios lojistas lideram, o que coloca credenciadoras no papel de capacitadoras antes de qualquer avanço agêntico.

Vale acompanhar como o modelo de responsabilização por fraudes vai se consolidar. Com bandeiras e credenciadoras disputando atribuições distintas, e sem marco regulatório definido, o desfecho desse debate pode ser mais determinante para o ritmo de adoção do que qualquer escolha de protocolo técnico. A janela de 96% das adquirentes planejando investir em ferramentas de governança para agentes de IA nos próximos três anos sugere que o setor já se posiciona, mesmo sem regras claras.

Fontes: Valor EconômicoPYMNTS IntelligenceThe PaypersLet’s Money: Visa e BB testam compras por IALet’s Money: Mastercard protocolo IALet’s Money: Getnet e agentes de IA

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