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FGVcemif: comprometimento de renda com dívidas sobe a 28,9%

O comprometimento de renda das famílias com dívidas chegou a 28,9% em junho, o maior nível de 2026, mesmo com a inadimplência em leve queda.

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Atualizado em

Foto de Towfiqu barbhuiya na Unsplash

O comprometimento de renda dos brasileiros com o pagamento de dívidas subiu para 28,9% em junho de 2026, o maior nível do ano, segundo o Índice de Desconforto de Crédito (IDC) desenvolvido pelo FGVcemif, centro de estudos da FGV EAESP. O indicador avançou 0,4 ponto percentual ante o mês anterior, quando estava em 28,5%.

O avanço ocorre apesar do Novo Desenrola, programa do governo federal para a renegociação de dívidas dos brasileiros. Para o FGVcemif, os dois primeiros meses da iniciativa ainda não se refletiram no índice, que mede a posição relativa do desconforto de crédito das famílias ao longo de uma série histórica.

O IDC combina três dimensões do mercado de crédito, o comprometimento de renda, a inadimplência e a qualidade do crédito, para dimensionar o quão desconfortável está a situação de endividamento das famílias em cada mês. Em junho de 2026, o único componente que piorou foi o comprometimento de renda, enquanto a inadimplência e a qualidade do crédito registraram leve melhora na mesma base de comparação.

O IDC em junho de 2026

Componente Variação
Comprometimento de renda de 28,5% para 28,9% (+0,4 p.p.)
Inadimplência de 7,5% para 7,4% (-0,1 p.p.)
Qualidade do crédito de 24,8% para 24,5%
Qualidade do crédito (valor normalizado) de 0,950 para 0,907

Dados do Índice de Desconforto de Crédito. Fonte: FGVcemif / FGV EAESP

Comprometimento de renda no maior nível do ano

O comprometimento de renda (C) é uma das três dimensões que compõem o IDC. Em junho de 2026, o componente passou de 28,5% para 28,9%, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. É o maior resultado registrado em 2026 e reforça o peso das dívidas sobre o orçamento das famílias.

A inadimplência, outra dimensão do índice, ficou praticamente estável, com ligeira queda de 0,1 ponto percentual, de 7,5% para 7,4%, na mesma base de comparação. O movimento contido na inadimplência contrasta com a alta do comprometimento de renda, sinal de que as famílias seguem honrando compromissos, mas destinando uma fatia maior do que ganham ao pagamento de dívidas.

Qualidade do crédito melhora e segura o índice

A terceira dimensão, a qualidade do crédito (Q), mede a participação das modalidades de crédito mais caras no total do crédito livre. Esse componente caiu de 24,8% para 24,5%, e seu valor normalizado recuou de 0,950 para 0,907. Com a menor participação de modalidades caras, a qualidade do crédito melhorou. Foi a maior contribuição, entre os componentes normalizados, para a redução mensal do IDC, o que ajudou a conter uma alta ainda mais acentuada do índice diante do comprometimento de renda no topo do ano.

“Os resultados mostram que os dois primeiros meses do Novo Desenrola não trouxeram efeitos significativos no índice”, afirma Lauro Gonzalez, coordenador do FGVcemif.

Superendividamento segue próximo do topo da série

O IDC é construído a partir das três dimensões do mercado de crédito, comprometimento de renda, inadimplência e qualidade do crédito, e mede a posição relativa do desconforto de crédito ao longo da série histórica. Entre janeiro e maio de 2026, o indicador permaneceu muito próximo do limite superior da série, o que, segundo o FGVcemif, reforça a gravidade do atual quadro de superendividamento das famílias brasileiras. A posição próxima do teto da série indica que o desconforto de crédito segue elevado quando comparado a todos os meses já medidos pelo índice.

O que observar

O comprometimento de renda no maior patamar do ano contrasta com a leve melhora da inadimplência e da qualidade do crédito no mesmo período. Vale acompanhar se o Novo Desenrola passa a influenciar o índice nos próximos meses e como as três dimensões que compõem o IDC evoluem diante do quadro de superendividamento apontado pelo FGVcemif ao longo da série histórica.

Fontes: FGVcemif / FGV EAESPBanco Central

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