Rodrigo Tognini, CEO e co-fundador da Conta Simples
A Conta Simples, banco digital focado em empresas, atingiu 2,5% de market share em cartão corporativo no Brasil. A fintech, que começou em 2019 com R$ 160 mil de investimento inicial e cinco cartões pré-pagos, levantou mais de R$ 200 milhões em Series B, passou pelo Y Combinator e opera próxima do breakeven, com a empresa gerando caixa operacionalmente.
Trajetória da Conta Simples: de MVP a banco B2B
Marco
Momento
Resultado
MVP
2019
5 cartões pré-pagos, R$ 40 mil movimentados no 1º mês
Y Combinator
2020
De R$ 50 mil/mês para R$ 250 mil/mês de lucro em 12 semanas
Series A
2021
R$ 120 milhões captados
Breakeven
2023
R$ 18 bilhões em TPV, licença SCD do Banco Central
Series B
2024
Mais de R$ 200 milhões (liderado por Base10 Partners)
2,5% de market share em cartão corporativo no Brasil
A tese: banco B2B com diferencial de software
Em entrevista ao podcast Let’s Money, Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples, definiu o posicionamento atual: um banco digital para PMEs cuja diferenciação está na camada de software de gestão de despesas. A empresa combina conta corrente, cartão corporativo, crédito e câmbio com funcionalidades de automação, conciliação bancária e workflows de aprovação.
O caminho até esse posicionamento envolveu crise existencial. “Já rolou crise existencial. Lá atrás era pesada”, admitiu Tognini. A empresa começou abrindo conta para qualquer CNPJ, mas descobriu que apenas 5% a 7% dos clientes geravam receita relevante. O ponto de virada veio na pandemia, quando identificaram que empresas digitais, especialmente infoprodutores e startups, concentravam 90% da receita em 10% da base. A partir desse recorte, o crescimento no Y Combinator foi de pelo menos 10% por semana em receita, durante 12 semanas consecutivas.
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Banco vs. ERP: por que a conta é o core
Tognini defende que ERPs tentando virar banco não conseguem eliminar a necessidade de uma conta bancária. “Enquanto o ERP não te for conta, ele não vai conseguir isso”, argumentou. Na visão da Conta Simples, é mais fácil um banco construir camadas de software do que um software se tornar banco. A aquisição da Brex pela Capital One por US$ 5 bilhões reforça essa leitura: o banco comprou a camada de experiência e gestão de despesas que não tinha.
A empresa atende de startups com 5 funcionários a companhias de 500 pessoas, com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 500 milhões por ano. Para empresas menores, a solução já substitui o banco. Para as maiores, a estratégia é land and expand: entrar pelo cartão corporativo e gestão de despesas, depois expandir para outros produtos. Enterprise acima de mil funcionários, por enquanto, não é prioridade.
O que observar
Com 2,5% do mercado de cartão corporativo, a Conta Simples tem 97,5% de espaço para crescer num segmento onde muitas empresas ainda nem usam o produto. A questão central é se a tese de banco com software integrado consegue escalar para além do público digital nativo e penetrar a economia real, onde a complexidade de produtos bancários exigidos é maior.
O deal Brex-Capital One sinaliza que globalmente a direção é de consolidação entre infraestrutura bancária e software de gestão. No Brasil, fintechs B2B que já têm a conta como core e operam próximas do breakeven estão em posição favorável para capturar a próxima onda de digitalização financeira de PMEs, especialmente com IA barateando o desenvolvimento de camadas de automação e conciliação.