O crédito à pessoa física cresceu 13,2% em 2025, enquanto o destinado a empresas avançou apenas 2,3% no mesmo período. A diferença marcante evidencia uma economia aquecida, desemprego baixo e maior apetite das famílias por financiamentos, segundo Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atual vice-chairman do Nubank.
Por que o crédito às famílias disparou
Em participação no videocast Perspectivas, parceria entre InvestNews e Nubank, Campos Neto apontou três fatores principais: crescimento econômico acima das expectativas, taxa de desemprego em patamares historicamente baixos e resquícios da recuperação cíclica pós-pandemia. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil também deve ampliar a disposição de consumo das famílias.
Apesar do avanço expressivo, o cenário merece atenção. Hoje quase 50% das famílias brasileiras têm compromissos com instituições financeiras, segundo o Banco Central. Quando somadas dívidas com o varejo, o índice salta para 78,9%, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio. Campos Neto classificou a situação como um “sinal amarelo”, mas sem motivo para alarme, já que os bancos mantêm balanços sólidos e a economia segue resiliente.
Fintechs ampliam acesso e reduzem spreads
A oferta de crédito também se expandiu, impulsionada por instituições digitais que democratizaram o acesso ao financiamento. O Nubank, que possui 112 milhões de clientes no Brasil e lidera em consentimentos do Open Finance, consegue operar com lucratividade no crédito massificado graças ao DNA digital, modelos preditivos avançados e escala robusta. Estudo recente do FMI indica que a maior competição no setor reduziu os spreads cobrados dos tomadores.
A portabilidade digital de crédito pessoal via Open Finance, que entrou em vigor em fevereiro, promete acelerar essa tendência. O prazo para migração de empréstimos caiu de 25 para três dias, e a comparação entre taxas ficou mais simples. Dados da Associação Open Finance mostram que a portabilidade já resultou em queda de 16% no spread de empréstimos transferidos. No caso do cheque especial, clientes do Nubank que ativaram alertas via Open Finance economizaram cerca de R$ 20 milhões e reduziram em três dias o tempo no vermelho.
Para Campos Neto, o Open Finance entra agora na segunda fase, focada na migração de produtos. A expectativa é que o crédito se torne mais barato, digital e instantâneo, ampliando os benefícios para milhões de brasileiros endividados.