O crédito privado tem ampliado sua participação no financiamento da safra brasileira nos últimos anos, mas a tendência é de retorno ao equilíbrio histórico entre diferentes fontes de recursos. A avaliação é de Gilson Bittencourt, Vice-Presidente de Agronegócios do Banco do Brasil (BB), durante o Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul.
Instrumentos do mercado financeiro como LCAs, CRAs, CPRs e Fiagros têm ganhado espaço como alternativa de funding para o agronegócio. Esse movimento ocorre em um cenário de maior custo do crédito e pressão financeira sobre produtores após eventos climáticos e oscilações de preços.
Divisão tradicional do financiamento
Segundo Bittencourt, historicamente o mercado financeiro responde por cerca de um terço do custeio da safra brasileira. Outro terço vem de recursos próprios dos produtores, enquanto o último terço é buscado em revendas de insumos ou tradings. “Esse patamar vem se mantendo”, afirmou ao CNN Agro.
Dados do Banco Central revelam o crescimento desses instrumentos. Entre julho e janeiro do ciclo atual, as contratações de CPR via instituições financeiras cresceram quase 50% na comparação anual, saltando de cerca de R$ 104 bilhões para aproximadamente R$ 154,8 bilhões.
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Linhas controladas seguem normais
O executivo destacou que as linhas com taxas controladas seguem operando normalmente, especialmente para agricultores familiares e médios produtores. Pronaf e Pronamp continuam fluindo regularmente, com aumento na concessão divulgado pelo governo esta semana.
Por outro lado, as linhas com taxas livres apresentam maior retração. Com a Selic em 15%, essas operações ficam mais caras, dificultando o acesso ao financiamento. Bittencourt espera corte na taxa básica ainda no Copom de março.
Reorganização e tecnologia
O cenário financeiro varia conforme região e atividade. Enquanto alguns produtores seguem investindo, outros enfrentaram aperto no fluxo de caixa. A Medida Provisória 1314 ajudou na reorganização financeira de muitos agricultores.
Além disso, o seguro rural teve papel fundamental. Nos últimos cinco anos, foram pagos quase R$ 30 bilhões pelo Proagro, com grande parte destinada ao Rio Grande do Sul. Porém, Bittencourt ressalta que eventos climáticos exigem mais que seguro: “Nós precisamos investir em tecnologia para mitigar esses impactos”.
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