O Crédito do Trabalhador alcançou R$ 117,1 bilhões em empréstimos concedidos e superou a marca de 20 milhões de contratos em seu primeiro ano de operação, consolidando-se como uma das principais transformações recentes do mercado de crédito brasileiro. Mais do que ampliar o acesso a linhas com garantia, a modalidade tem provocado uma reorganização das estratégias de bancos, financeiras e investidores, que enxergam no consignado privado uma nova fronteira de crescimento em meio às mudanças regulatórias e ao aumento da demanda por operações de menor risco.
O avanço reposiciona quem já atua no mercado de crédito. Segundo a Matera, empresa de tecnologia para o setor financeiro que acompanha a expansão da modalidade, o crédito com garantia de salário deixou de ser um nicho para se firmar como uma das principais avenidas de crescimento do sistema financeiro.
O Crédito do Trabalhador em um ano
Indicador
Dado
Empréstimos concedidos
R$ 117,1 bilhões
Contratos
mais de 20 milhões
Consignado privado (concessões)
de R$ 20,2 bi para R$ 76,2 bi
Crescimento em 12 meses
276% (abr/2025 a mar/2026)
Dados informados pela empresa e pelo Banco Central. Fonte: Matera
Consignado privado salta 276% em um ano
Os efeitos já aparecem nos números do setor. Segundo dados divulgados pelo Banco Central em abril de 2026, as concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado saltaram de R$ 20,2 bilhões para R$ 76,2 bilhões entre abril de 2025 e março de 2026, um crescimento de 276% em relação aos 12 meses anteriores.
O movimento ocorre em paralelo às mudanças nas regras do consignado para servidores públicos, que reduzirão gradualmente a margem consignável nos próximos anos, estimulando as instituições financeiras a buscar novas oportunidades de expansão no segmento privado.
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Crédito garantido atrai bancos e investidores
A expansão também ampliou a relevância dos ativos com garantia dentro do sistema financeiro. Com menor índice de inadimplência e maior previsibilidade de fluxo, operações vinculadas ao desconto em folha e ao FGTS como garantia do Crédito do Trabalhador passaram a ocupar espaço crescente nas estratégias de fundos de investimento e de instituições que buscam combinar rentabilidade e controle de risco. Ao mesmo tempo, empresas de diferentes setores começam a enxergar o crédito como uma extensão de seus ecossistemas digitais e do relacionamento com milhões de consumidores.
Para Amilcar Chaves, diretor de Negócios da área de Crédito da Matera, o avanço sinaliza uma mudança estrutural na dinâmica do mercado. “O Crédito do Trabalhador amplia o acesso a condições melhores para uma parcela relevante da população e, ao mesmo tempo, cria um ambiente de competição entre instituições financeiras. O crescimento acelerado mostra que o crédito com garantia deixou de ser um nicho específico para se consolidar como uma das principais avenidas de expansão do setor”, afirma.
Segundo o executivo, a evolução do mercado tende a elevar o grau de sofisticação exigido das operações. “À medida que o volume cresce, as instituições passam a lidar com uma cadeia mais complexa de integrações, controles e gestão de garantias. O diferencial competitivo deixa de estar apenas na oferta de capital e passa a envolver a capacidade de operar essas jornadas com eficiência, segurança e conformidade regulatória”, diz.
O que observar
O crescimento do consignado privado interessa a bancos, fintechs, financeiras e fundos que buscam ativos de menor risco, e aos trabalhadores com carteira assinada que passam a ter acesso a linhas mais baratas. Vale acompanhar como o teto de juros e as novas regras da modalidade afetam o apetite das instituições e se o crédito com garantia sustenta o ritmo depois do primeiro ano de operação.