Um ano após a criação do Crédito do Trabalhador, o mercado de consignado privado passou por uma mudança significativa no perfil das operações realizadas no Brasil. Dados proprietários da Serasa Experian mostram que, apesar da forte expansão da modalidade, as instituições financeiras passaram a operar com contratos menores e prazos de pagamento mais curtos. Como resultado, o número de novos contratos saltou de cerca de 11 mil para mais de 25 mil no período analisado, enquanto o valor médio dos empréstimos caiu 73%, passando de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil.
Volume sobe, ticket médio desce
Segundo dados do Banco Central, o volume mensal liberado em consignado privado passou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do Crédito do Trabalhador. No mesmo período, a modalidade apresentou crescimento superior ao registrado em outras linhas de crédito, impulsionada pela ampliação do acesso ao consignado para trabalhadores CLT fora dos modelos tradicionais de convênio entre empresas e instituições financeiras.
A expansão do novo consignado foi acompanhada por uma mudança relevante na estrutura das operações. De acordo com o estudo inédito da Serasa Experian, o prazo médio dos contratos caiu 48% após a criação do programa, enquanto o número médio de instituições financeiras ofertando crédito por empresa foi de 4 para 21, indicando mais concorrência e a pulverização das concessões entre bancos.
Como o consignado privado mudou em 1 ano
| Indicador | Mudança |
|---|---|
| Valor médio por operação | R$ 8,6 mil → R$ 2,3 mil (−73%) |
| Novos contratos no período analisado | ~11 mil → 25 mil+ |
| Volume mensal liberado (Banco Central) | R$ 1,5 bi → ~R$ 11 bi |
| Prazo médio dos contratos | −48% |
| Instituições financeiras por empresa | 4 → 21 |
Mudanças no mercado de consignado privado um ano após o Crédito do Trabalhador. Fonte: Serasa Experian
“O Crédito do Trabalhador levou bancos e empresas a reorganizarem a lógica de concessão diante de um novo perfil operacional do mercado. O primeiro ano do programa mostrou que existia uma demanda reprimida entre trabalhadores CLT, ao mesmo tempo em que exigiu das instituições financeiras uma adaptação para ofertar crédito em um ambiente mais amplo e competitivo”, afirma Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
O estudo da datatech se soma a outras leituras recentes do mercado: em maio, o consignado privado passou de R$ 100 bilhões em saldo, com Itaú liderando a oferta. Em paralelo, o governo estuda permitir o uso do FGTS como garantia de até 100% da operação, em movimento que tende a continuar reformatando o produto.








