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Cripto chega a 29 milhões de brasileiros e supera a bolsa

Pesquisa Datafolha e Paradigma mostra cripto com 17,2% de alcance no Brasil, à frente de CDB e ações. Entre quem entrou, 83% usaram o app do banco.

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· 4 min

Atualizado em

Foto de Pierre Borthiry - Peiobty na Unsplash

Cripto alcançou 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos, quase 29 milhões de pessoas, contra 7,4% que já tiveram ações. A diferença é de alcance, não de volume financeiro: a 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas coloca o ativo em quinto lugar entre as formas de guardar dinheiro, à frente de CDB, dólar e ouro.

Onde os brasileiros já colocaram dinheiro

Produto % da população 16+
Poupança 57,1%
Imóveis 34,0%
Dinheiro guardado em casa 30,5%
Fundos de investimento 26,1%
Criptomoedas 17,2%
Títulos públicos ou CDB 15,1%
Dólar ou outras moedas 14,0%
Ouro 9,8%
Ações na bolsa 7,4%

Percentual da população com mais de 16 anos que diz ter ou já ter tido dinheiro em cada produto. Campo presencial entre 11 e 14 de maio de 2026. Fonte: Valor Econômico

Onde os brasileiros compram cripto

O levantamento foi feito pela Paradigma em parceria com o Datafolha, que respondeu pelo trabalho de campo: 2.004 entrevistas presenciais em 137 municípios, entre 11 e 14 de maio de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A primeira edição, aplicada em dezembro de 2024, ouviu 2.007 pessoas em 113 municípios.

A novidade desta edição está no canal. Entre quem já colocou dinheiro em criptomoedas, 83% usaram o aplicativo do próprio banco, contra 26% que citaram carteira própria, 20% que citaram corretoras de cripto e 18% que entraram por fundos ou ETFs. A pergunta permitia múltiplas respostas. Na conta da comparação entre canais, o banco aparece 4,2 vezes mais do que a exchange especializada, e a fatia da população que guarda as próprias chaves subiu de 2,2% para 4%, cerca de 6,75 milhões de pessoas.

O movimento acompanha o que os bancos vêm fazendo no produto. Em março de 2026, um executivo do Santander descreveu a entrada dos bancos no segmento como uma decisão defensiva, para não perder cliente para corretoras especializadas, e neste mês o Bradesco anunciou que vai guardar cripto de fundos e tesourarias. O perfil de quem entrou também não é o de alta renda: 77,6% ganham até três salários mínimos e 89,4% ganham até cinco.

Conhecimento avança, e o Centro-Oeste puxa

A parcela que diz conhecer criptoativos passou de 56,3% para 66,4%. O bitcoin segue como o ativo mais lembrado, citado por 60,7% dos entrevistados, seguido de ethereum, com 11,1%, e do Drex, com 10,3%. O avanço foi mais forte no Centro-Oeste, onde o índice saiu de 47% para 72,8%, crescimento 2,6 vezes superior à média nacional. No Norte houve queda de 2,9 pontos percentuais.

Conhecer, porém, não é o mesmo que entender. Entre os que conhecem cripto, 77% veem a tecnologia como complexa, e 42% dos que nunca compraram dizem não dominar o tema o suficiente. Ainda assim, 59% consideram os ativos uma boa forma de diversificar investimentos, fatia que sobe para 78% na faixa de 16 a 24 anos. Ao apresentar a primeira edição do estudo, em março de 2025, Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, já dizia que “ainda há um grande caminho a percorrer na educação financeira”, em declaração ao Times Brasil. A pesquisa atual tem patrocínio de Coinbase e Hashdex e apoio da ABcripto. Outra medição do Datafolha, divulgada neste mês, mostrou que a carteira digital já chega a 1 em cada 4 usuários de cartão, no mesmo movimento de adoção puxada pelo celular.

O que observar

Se o aplicativo bancário é a porta de entrada de 83% de quem tem cripto, a régua de educação, adequação de produto e suporte deixa de ser problema das corretoras especializadas e passa a ser dos bancos de varejo. Vale acompanhar como instituições de grande porte tratam suitability e comunicação de risco em um público em que quase 8 de cada 10 ganham até três salários mínimos, faixa que costuma ter pouca margem para perda.

Duas leituras merecem cautela. A primeira é que a pesquisa mede quem já colocou dinheiro em algum momento, não posição atual nem valor investido, então alcance não é sinônimo de patrimônio alocado. A segunda é o financiamento: o estudo é patrocinado por empresas com interesse comercial direto no resultado, o que não invalida o método presencial, mas pede leitura atenta do recorte das perguntas. A pergunta que fica é se o crescimento da autocustódia, ainda em um dígito, acompanha a adoção pelo canal bancário, ou se o brasileiro vai continuar tratando cripto como mais uma aba dentro do app do banco.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyStartupsADVFNTimes Brasil

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