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RegulaçãoRegulação · CVM

CVM pode criar normas sem área técnica em casos específicos

CVM aprovou por 3 a 1 mudança na Resolução 67 que permite ao colegiado criar normas sem passar pela SDM, sua área técnica, em casos específicos.

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· 3 min

Otto Lobo Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A diretoria colegiada da CVM mudou seu próprio regramento e agora pode, em casos específicos, tocar a criação de normas sem repassá-la à SDM, a superintendência técnica que historicamente redige as regras do mercado. A decisão saiu por 3 votos a 1 e altera a Resolução 67, de 2022.

O que o colegiado da CVM decidiu

Item Detalhe
Norma alterada Resolução CVM 67, de 2022
Placar 3 votos a 1
Proposta por Diretor João Accioly
Voto contrário Diretora Marina Copola
O que muda Colegiado passa a poder entregar a condução de uma norma a um diretor ou a outra área, em casos específicos
Área preservada Superintendência de Normas Contábeis (SNC)

Alteração da Resolução CVM 67/2022 aprovada pelo colegiado. Fonte: UOL

O que muda na criação de normas

Até então, era a SDM quem tocava a elaboração de cada regra nova do setor, dos primeiros rascunhos às consultas públicas. A mudança, aprovada em 15 de setembro, autoriza o colegiado a entregar, em casos específicos, esse trabalho a um de seus diretores ou a uma superintendência diferente. A SNC, superintendência que responde pela contabilidade e pela auditoria das companhias, ficou de fora e seguirá como está.

A CVM sustenta que a competência para regular sempre coube ao colegiado, que apenas repassava parte da tarefa, e que a nova regra só alargou esse repasse. Para justificar a medida, apontou “indícios” de uma “grande dificuldade em gerir a sua agenda regulatória e conduzir os processos de forma satisfatória” na área técnica, e disse que a superintendência não teria avançado na tokenização de ativos, uma das prioridades da atual gestão.

A gestão Otto Lobo e o corpo técnico

A decisão se soma a outros movimentos desde a chegada de Otto Lobo, aprovado pelo Senado para presidir a autarquia. Logo que assumiu, em junho de 2026, ele demitiu sete superintendentes, gesto lido como distanciamento do quadro de carreira. Antônio Berwanger, servidor de carreira, está no comando da SDM desde 2015 e foi indicado por Lula em agosto para a cadeira vaga de diretor, nome que ainda depende de sabatina no Senado.

Na avaliação da colunista Mariana Barbosa, do UOL, a decisão embaralha a divisão de papéis que sustenta a governança do regulador, na qual o colegiado julga e a estrutura técnica fiscaliza e investiga a partir de regras discutidas com a sociedade e submetidas a estudo de impacto. A diretora Marina Copola foi a única voz contrária à proposta do diretor João Accioly.

O que observar

A pergunta que fica é qual será o efeito prático da mudança sobre a padronização e a previsibilidade das regras do mercado de capitais. Centralizar tudo na estrutura técnica dá uniformidade, mas amarra o ritmo à capacidade de uma única área; espalhar a tarefa entre diretores e outras superintendências pode acelerar pautas como a de tokenização, ao custo de fragmentar quem responde por cada regra. Vale acompanhar se as próximas resoluções vão preservar as etapas de consulta pública e de análise de impacto, e como o mercado receberá normas construídas fora do rito habitual.

Fontes: UOLLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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