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RegulaçãoIA · CVM

CVM mira IA na supervisão do mercado de capitais

Otto Lobo criou grupo de trabalho de 60 dias e levou a CVM à Nyse, Nasdaq e SEC para acelerar a supervisão do mercado com inteligência artificial.

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· 3 min

Atualizado em

Otto Lobo Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Otto Lobo, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quer apoiar a fiscalização do mercado de capitais em inteligência artificial (IA). A autarquia abriu um grupo de trabalho com prazo inicial de 60 dias, franqueado ao mercado, e o dirigente diz que a forma antiga de vigiar as negociações se esgotou.

O plano da CVM para modernizar a supervisão

Frente O que a CVM apresentou
Grupo de trabalho Prazo inicial de 60 dias, aberto a agentes do mercado
Missão aos EUA Reuniões com Nyse, Nasdaq, SEC e CFTC
Meta para 2026 Novas infraestruturas de negociação e supervisão
Recursos Maior parte da taxa de fiscalização após decisão do STF

Planos apresentados pelo presidente da CVM, Otto Lobo, no Token Summit. Fonte: Valor Econômico

Missão aos EUA e conversas com a Anbima

Uma comitiva da autarquia passou por instituições dos Estados Unidos em busca de ferramentas de fiscalização já em uso por lá. Entre as paradas estiveram a Nasdaq, a Bolsa de Nova York (Nyse), a reguladora SEC (equivalente à CVM no país) e a CFTC, o órgão americano que regula futuros e commodities, além de fornecedores de tecnologia voltada à supervisão. “Na nossa nova forma de supervisionar o mercado, não podemos mais atuar como antes”, disse Otto Lobo, presidente da CVM, no Token Summit, em São Paulo.

A modernização deixou de ser vista como um teste isolado em ambiente experimental. Lobo quer que o assunto avance ainda em 2026 rumo a novas estruturas de negociação e de fiscalização, e citou negociações para usar a plataforma da Anbima, entidade que reúne os mercados financeiro e de capitais. “O que a CVM está fazendo é colocando uma enzima nisso, para acelerar o processo químico”, afirmou Lobo. O caminho é o de outros reguladores: o Banco Central já mantém IA rodando na supervisão.

Em paralelo, a CVM abriu um grupo de trabalho voltado à tokenização, com os mesmos 60 dias de prazo inicial e participação franqueada ao mercado.

A leitura da CVM é de que a fiscalização precisa acompanhar operações em maior escala, e a própria Anbima já desenvolve IA para a autorregulação e mira as normas da autarquia.

Mais recursos após decisão do STF

Por anos, segundo Lobo, o orçamento apertado freou o alcance do órgão. Isso mudou depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurar à autarquia pelo menos 70% da arrecadação da taxa de fiscalização. Com mais caixa, o presidente disse querer ouvir bancos e demais participantes antes de fechar qualquer desenho. “Quero muito ouvir os participantes de mercado, cada vez mais”, afirmou. E marcou o limite do papel do regulador: “Não é a CVM que vai dizer ao mercado onde devem existir novos modelos de negócio”, disse.

O que observar

A aposta da CVM em IA e em novas infraestruturas recoloca uma pergunta prática para gestores de recursos, autorreguladores e prestadores de serviço de custódia: quanto do próprio dado eles terão de padronizar e migrar para que uma supervisão automatizada acompanhe cada operação em tempo real. Vale acompanhar se o grupo de trabalho aberto ao mercado converge para um padrão único de infraestrutura ou convive com arranjos concorrentes, e em que prazo o regime experimental deixa de ser piloto para virar regra permanente.

Para um regulador que passou anos limitado por orçamento, o teste seguinte é se o reforço de recursos vira capacidade técnica instalada dentro da janela que a própria autarquia estipulou.

Fontes: Valor EconômicoSTFLet’s Money

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