Otto Lobo, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quer apoiar a fiscalização do mercado de capitais em inteligência artificial (IA). A autarquia abriu um grupo de trabalho com prazo inicial de 60 dias, franqueado ao mercado, e o dirigente diz que a forma antiga de vigiar as negociações se esgotou.
O plano da CVM para modernizar a supervisão
| Frente | O que a CVM apresentou |
|---|---|
| Grupo de trabalho | Prazo inicial de 60 dias, aberto a agentes do mercado |
| Missão aos EUA | Reuniões com Nyse, Nasdaq, SEC e CFTC |
| Meta para 2026 | Novas infraestruturas de negociação e supervisão |
| Recursos | Maior parte da taxa de fiscalização após decisão do STF |
Planos apresentados pelo presidente da CVM, Otto Lobo, no Token Summit. Fonte: Valor Econômico
Missão aos EUA e conversas com a Anbima
Uma comitiva da autarquia passou por instituições dos Estados Unidos em busca de ferramentas de fiscalização já em uso por lá. Entre as paradas estiveram a Nasdaq, a Bolsa de Nova York (Nyse), a reguladora SEC (equivalente à CVM no país) e a CFTC, o órgão americano que regula futuros e commodities, além de fornecedores de tecnologia voltada à supervisão. “Na nossa nova forma de supervisionar o mercado, não podemos mais atuar como antes”, disse Otto Lobo, presidente da CVM, no Token Summit, em São Paulo.
A modernização deixou de ser vista como um teste isolado em ambiente experimental. Lobo quer que o assunto avance ainda em 2026 rumo a novas estruturas de negociação e de fiscalização, e citou negociações para usar a plataforma da Anbima, entidade que reúne os mercados financeiro e de capitais. “O que a CVM está fazendo é colocando uma enzima nisso, para acelerar o processo químico”, afirmou Lobo. O caminho é o de outros reguladores: o Banco Central já mantém IA rodando na supervisão.
Em paralelo, a CVM abriu um grupo de trabalho voltado à tokenização, com os mesmos 60 dias de prazo inicial e participação franqueada ao mercado.
A leitura da CVM é de que a fiscalização precisa acompanhar operações em maior escala, e a própria Anbima já desenvolve IA para a autorregulação e mira as normas da autarquia.








