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Na CVM, Lobo perde ascendência enquanto indicação trava no Senado

Presidente interino remove chefe de gabinete deixado por Lobo. Senado não tem data para sabatina. Caso Master embaralhou agenda da autarquia.

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· 2 min

Atualizado em

A nomeação de Otto Lobo para a presidência da CVM, feita por Lula em janeiro, está travada há quase três meses no Senado. Enquanto isso, o presidente interino João Accioly removeu o chefe de gabinete que Lobo havia deixado no cargo, reduzindo a influência do indicado sobre o órgão regulador do mercado de capitais.

TIMELINE DA CRISE NA CVM

Data Evento
Dez/2025 Lobo deixa presidência, mantém chefe de gabinete
Jan/2026 Lula nomeia Lobo para presidência
Mar/2026 Accioly remove Bulcão e consolida autoridade
Mar/2026 Senado sem data para sabatina na CAE

Fonte: O Globo

O sinal da troca de gabinete

Quando deixou o cargo de presidente interino em 31 de dezembro, Lobo manteve seu chefe de gabinete, Maurício Bulcão, no posto. Accioly, ao assumir o comando interino, manteve Bulcão, o que internamente era lido como sinal de que Lobo retornaria em breve. Agora, Accioly decidiu transferir Bulcão para uma superintendência e nomeou Daniel Coachman Kolouboff como substituto. A mudança sinaliza que o interino está consolidando autoridade própria.

A CVM já havia criado uma equipe de cúpula para avaliar o caso Master, e decisões passadas de Lobo foram interpretadas por observadores como favoráveis ao grupo de Daniel Vorcaro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não tem data para despachar a indicação para sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O caso Master como obstáculo

A nomeação de Lobo contrariou o desejo do corpo técnico da CVM, do ministro Fernando Haddad e de vozes influentes do mercado de capitais. Após a indicação, o caso Master escalou e embaralhou a agenda regulatória. Decisões anteriores de Lobo na CVM passaram a ser reexaminadas à luz das investigações sobre o grupo de Vorcaro.

O impasse cria vácuo de liderança num momento em que a CVM enfrenta casos complexos: além do Master, o órgão precisa responder a questões sobre regulação de criptoativos, tokenização e mercado de capitais para PMEs. A incerteza sobre quem comandará a autarquia afeta a capacidade de resposta regulatória do mercado.

O que observar

O prazo sem definição sobre a presidência da CVM é incomum e gera incerteza regulatória para o mercado de capitais. Se a sabatina não acontecer nos próximos meses, a tendência é que Accioly consolide agenda própria, criando fatos consumados que reduzem o espaço de manobra de qualquer futuro presidente. Para o mercado, a questão prática é se o interino tem mandato político suficiente para tomar decisões de maior impacto ou se a autarquia opera em modo conservador até a definição.

Fontes: O GloboLet’s Money

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