O fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, foi nomeado para o conselho de administração da OpenAI. A dona do ChatGPT também levou Robin Vince, presidente e CEO do BNY, ao board, num reforço de governança enquanto a empresa prepara sua abertura de capital.
Quem a OpenAI trouxe para o conselho
| Novo conselheiro |
Origem e papel |
| David Vélez |
Fundador e CEO global do Nubank |
| Robin Vince |
Presidente e CEO do BNY; vai presidir o comitê de auditoria |
Novos conselheiros da OpenAI, anunciados em 21 de julho de 2026. Fonte: NeoFeed
Dois nomes de peso das finanças no board
Além do conselho de administração, Vélez e Vince passam a integrar também o conselho da OpenAI Foundation, a organização sem fins lucrativos que controla o grupo. Em 2025, a companhia reorganizou sua estrutura: a empresa operacional virou a OpenAI Group PBC, enquanto a fundação ficou com uma participação de 26%. Vince, que comandará o comitê de auditoria, reforça a supervisão sobre controles financeiros, segundo o The Wall Street Journal.
“David e Robin são líderes excepcionais que usaram a tecnologia para remodelar os serviços financeiros e expandir oportunidades em escala global”, disse, em nota, Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI (em tradução livre). A chegada dos dois casa com o avanço da empresa sobre clientes corporativos, à medida que a OpenAI expande suas ferramentas para bancos e intensifica a monetização de seus produtos de inteligência artificial.
Governança sob holofote antes do IPO
As nomeações chegam num momento sensível. A OpenAI protocolou, em junho, um pedido confidencial de IPO junto à SEC, e as informações de mercado apontam alvo de avaliação de US$ 1 trilhão, acima dos US$ 730 bilhões da rodada de fevereiro, quando captou US$ 110 bilhões. A operação, porém, pode ficar só para 2027. O reforço de conselheiros com traquejo em mercado de capitais se soma ao crédito bilionário que a empresa levantou antes do IPO.
A OpenAI vem profissionalizando a cúpula desde a crise que afastou brevemente o CEO Sam Altman do comando, em 2023. O board hoje reúne perfis variados, como o general reformado Paul Nakasone e o professor de machine learning Zico Kolter, da Carnegie Mellon. Para Vélez, recém-incluído na lista Iconoclast 50 da Forbes, é o segundo grande assento de governança global fora do Nubank.
O que observar
O assento sinaliza um caminho que fundadores de fintechs de grande porte começam a trilhar: sair da cadeira de operador para a de conselheiro em empresas de tecnologia que se preparam para a bolsa. Vale acompanhar se essa ponte entre serviços financeiros e inteligência artificial vira regra na formação de conselhos, ou se fica restrita a poucos nomes já consagrados.
No lado da companhia que vai à bolsa, a leitura é de governança. Trazer executivos com histórico de comando de empresas de capital aberto e de comitês de auditoria é o tipo de sinal que investidores institucionais pesam antes de uma listagem. A pergunta é se o reforço no conselho basta para sustentar a avaliação buscada num setor que ainda amadurece em governança e previsibilidade de resultados.
Fontes: NeoFeed • OpenAI • CNBC