A Decolar tirou a SOFIA, sua assistente de inteligência artificial, do papel de só recomendar. Na operação que a empresa classifica como sua primeira venda agêntica no Brasil, a ferramenta buscou hospedagens, fez a reserva e devolveu um QR Code, e o cliente pagou por Pix dentro da conversa, segundo o NeoFeed.
O recurso tinha menos de 12 horas no ar quando isso aconteceu. A assistente já era rotina na operação, com perto de 2 milhões de conversas mensais, número informado pela companhia. O que mudou não foi o volume de conversa, e sim até onde ela vai: reserva e cobrança passaram a caber no mesmo diálogo, sem desvio para o checkout. A confirmação do pagamento continua com o usuário.
“Já enxergávamos que o próximo passo seria ter agentes capazes de executar uma venda do início ao fim, trazendo mais segurança para a decisão, reduzindo a fricção na jornada e poupando o tempo do consumidor”, disse Rafaela Rezende, CEO da Decolar no Brasil, ao NeoFeed.
Os números da operação brasileira da Decolar
| Indicador | Número |
|---|---|
| Conversas mensais com a SOFIA | Perto de 2 milhões |
| Faturamento B2C (venda ao consumidor) em jornadas com a assistente | 6,7% |
| Meta de crescimento no Brasil | 40% ao ano |
| Peso da operação brasileira no grupo Despegar | Quase 40% dos negócios |
| Crescimento da base de novos consumidores vindo da parceria com o iFood | 25% |
Números da operação brasileira informados pela companhia. Fonte: NeoFeed
O que muda quando a venda é conduzida pela IA
O marco é da própria empresa, não do mercado brasileiro. A primeira transação desse tipo no país saiu em março de 2026, pelo Banco do Brasil com a Visa, e ainda em ambiente controlado, segundo o NeoFeed.
A companhia de viagens já aparecia nessa frente por outra porta. Em meados de março de 2026, a Elo iniciou um piloto de compras por agentes de inteligência artificial com a Decolar como primeira parceira. Em junho de 2026, a Teller pôs no ar a primeira jornada de pagamento agêntico no Pix.
A régua do que é agente, e não vitrine com outro nome, tende a ser a métrica. Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, Ticiana Amorim, CEO e fundadora da Aarin, resumiu o filtro que defende antes de adotar qualquer automação: “Qual é o dado que é um problema para mim hoje?”. Depois disso, segundo ela, vem checar se a inteligência artificial resolve o problema e se o indicador muda. Do lado da Decolar, o indicador citado é o das jornadas em que a SOFIA entra, ligadas a 6,7% das vendas da empresa ao consumidor final, o B2C (business to consumer).








