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Nubank, Itaú e BB ficam com 66% do Desenrola 2.0

Bradesco BBI: Nubank lidera o Desenrola 2.0 com 40% do volume originado em maio, seguido por Itaú e BB (13% cada); PicPay sobe e Inter recua.

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Atualizado em

Logo do Programa Desenrola Brasil. Foto: Reprodução

Nubank, Itaú e Banco do Brasil concentram 66% do volume originado pelo Desenrola 2.0 em seu primeiro mês de vigência, segundo relatório do Bradesco BBI. O programa de renegociação produziu R$ 1,8 bilhão em maio; para comparação, a edição de 2023 gerou R$ 1,6 bilhão no total.

O Nubank lidera com participação de quase 40%, seguido por Itaú e Banco do Brasil com 13% cada e Santander Brasil com 7%. PicPay aparece com 8%, ante 0% na edição anterior. Foram 912 mil operações renegociadas no mês, contra cerca de 1,5 milhão em todo o programa de 2023-2024, o que implica ticket médio significativamente maior por contrato. Com base em desconto típico de 80% sobre o valor inadimplente (o programa autoriza chegar a 90%), o BBI projeta que o saldo total reescalonado pelo Desenrola 2.0 já some R$ 8,8 bilhões.

Quem ficou com cada fatia do Desenrola 2.0

Instituição Fatia 2.0 vs 1.0
Nubank 40%
Itaú 13%
Banco do Brasil 13%
PicPay 8% era 0%
Santander Brasil 7%
Inter 1% era 12%
Banco Pan 0% era 26%

Participação dos bancos no volume originado pelo Desenrola 2.0 em maio de 2026. Fonte: InfoMoney

Canal próprio explica a aceleração

Para o time do Bradesco BBI, o ritmo decorre principalmente de “ajustes operacionais realizados, que permitiram às instituições financeiras renegociar diretamente por meio de seus próprios canais”, afirma o relatório, assinado por Marcelo Mizrahi, Maria Mazzoni, Eric Ito e Arthur Chuqui. Sobre o efeito nos resultados dos bancos, a leitura é cautelosa: “É difícil mensurar o impacto sobre os balanços das instituições, já que isso dependerá da parcela dos créditos renegociados que havia sido baixada ou mantida fora do balanço antes da adesão ao programa”, escrevem.

Programa cresce com novos entrantes e alerta do BC

A série histórica do Let’s Money sobre o Desenrola mostra o ecossistema em movimento contínuo. Em 10 de junho, o Ministério da Fazenda confirmou que o programa tirou 4 milhões de brasileiros de listas de inadimplência desde o início. Na mesma semana, fintechs ampliaram a aposta no segmento: na quinta-feira (18), o Neon entrou no Desenrola com juros a partir de 0,01% ao mês e descontos de até 90%. Pelo lado do diagnóstico, o Banco Central alertou no fim de maio que o próprio Desenrola pode ter elevado a inadimplência de pessoas físicas para 5,4% em abril, por levar consumidores a contratar novo crédito em vez de quitar à vista.

O que observar

Quando o motor do programa é o canal próprio do banco, ganham as instituições com base ampla de clientes e relacionamento ativo de cobrança, tipicamente varejistas escalados e fintechs de crédito massificado. O ponto que merece monitoramento é contábil: o impacto líquido no resultado depende muito do quanto cada instituição já havia provisionado ou tirado do balanço antes de aderir ao programa. Vale acompanhar nos próximos resultados trimestrais a relação entre volume originado pelo Desenrola, recuperação de receita financeira e movimentação da linha de provisões para devedores duvidosos.

Fontes: InfoMoneyMinistério da FazendaDesenrola tira 4 milhões de listas de inadimplênciaNeon entra no Desenrola com juros a partir de 0,01% ao mêsBC: Desenrola pode ter elevado inadimplência de PF a 5,4%

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