O ministro da Fazenda, Dario Durigan, aumentou a pressão sobre os bancos privados para aderirem ao Desenrola Adimplente. O programa substitui empréstimos de até 10% ao mês por crédito a 1,99% ao mês para trabalhadores informais que pagam em dia. O teto baixo, porém, afastou os grandes bancos e deixou Caixa e Banco do Brasil quase sozinhos na largada.
Desenrola Adimplente: o que muda no juro
| Item |
Condição |
| Público |
Trabalhador informal que paga em dia |
| Atraso admitido |
até 90 dias |
| Juro atual de mercado |
até 10% ao mês |
| Teto do programa |
1,99% ao mês |
| Bancos que sinalizaram |
Caixa, BB e 1 ou 2 privados |
| Garantia |
Adicional, do governo |
Condições do Desenrola Adimplente. Fonte: Valor
Por que os bancos resistem ao teto de 1,99%
Na avaliação das instituições financeiras, o teto de 1,99% ao mês torna a operação atraente apenas para nichos pequenos de clientes de baixa renda e já com risco elevado. Foi essa conta que deixou o programa restrito, por ora, a bancos públicos. O Let’s Money mostrou que o governo lançou o Desenrola para informais e os bancos resistiram desde o início.
Durigan rebate o argumento. Para ele, não se trata de renunciar a receita, mas de trocar um juro alto por um mais baixo em um cliente que já honra as parcelas. “Aqui não é perdão de nada. Mas em vez de pagar 10% ao mês, paga 1,99% ao mês”, disse o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha. “Os bancos estão sendo beneficiados com essa situação”, acrescentou, ao citar a margem que as instituições obtêm com o público adimplente.
A aposta do governo na garantia
Para reduzir o risco das operações, o governo oferece uma garantia adicional ao crédito do informal adimplente. “O governo fornece garantias adicionais para que o trabalhador siga pagando em dia, porque daqui a pouco ele não vai pagar mais em dia”, afirmou Durigan. A medida provisória do programa foi assinada no fim de junho e mira quem tem parcelas em atraso de até 90 dias, faixa que ainda não entra nos índices de inadimplência.
O desenho tenta cobrir uma lacuna. Aposentados do INSS e servidores públicos já têm consignado próprio, e trabalhadores da iniciativa privada contam com o consignado privado, que também carrega o teto de 1,99% com FGTS como garantia. O informal ficava de fora dessas linhas mais baratas. Durigan diz que segue pedindo à Febraban para estender o programa aos demais bancos, além de Caixa, Banco do Brasil e um ou dois privados que já sinalizaram participação. Lançado a pouco mais de três meses das eleições, o programa ainda não despertou o interesse do setor privado.
O que observar
O ponto de tensão é matemático. Enquanto o teto de juro comprime a margem, a garantia estatal reduz o risco de calote, e a pergunta é se um compensa o outro na régua de risco dos bancos privados. Para as instituições de grande porte, a operação só faz sentido se a garantia cobrir o suficiente para justificar emprestar barato a um público que, sem o programa, pagaria taxas de dois dígitos ao mês. Vale acompanhar se o desenho da garantia é calibrado para mudar essa conta ou se o programa segue concentrado nos bancos públicos.
Há também o teste de escala. Um crédito barato para quem já paga em dia pode virar porta de entrada para relacionamento de longo prazo, mas depende de volume para compensar a margem menor. Se o teto de 1,99% atrai apenas nichos de alto risco, como alegam as instituições, o programa corre o risco de nascer pequeno. A adesão dos bancos privados nos próximos meses vai indicar de que lado a conta pende.
Fontes: Valor • CNN Brasil • InfoMoney • Casa Civil