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Desenrola reduz custo dos bancos, mas prazo aperta oferta

Febraban vê o novo Desenrola Adimplentes cortando custo e risco dos bancos, mas alerta que a habilitação pode encolher a janela de oferta a duas semanas.

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· 3 min

Atualizado em

Logo do Programa Desenrola Brasil. Foto: Reprodução

O maior lobby dos bancos brasileiros deu seu veredito sobre a nova rodada do Desenrola Adimplentes: as regras cortam custo e risco de crédito e podem alargar o alcance do programa. O problema é o relógio. A Febraban calcula que o tempo de habilitação nos bancos públicos pode deixar apenas cerca de duas semanas úteis para colocar a linha na rua.

O que reduz custo e risco do banco no programa

Elemento Regra
Funding 70% União, 30% bancos
Garantia (FGO) 100% por operação, até 50% da carteira
Público elegível Adimplentes e atraso de até 90 dias

Estrutura do Desenrola Adimplentes segundo a Febraban. Fonte: Valor Econômico

Pelo desenho aprovado, 70% do dinheiro emprestado sai do caixa da União e 30% dos próprios bancos, o que alivia a captação e o capital que a instituição precisa imobilizar. A isso soma-se a cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), de 100% por operação e limitada a metade da carteira, que amortece as perdas. O público vai além dos bons pagadores: entra também quem já acumula até 90 dias de atraso. Isso, diz a federação, abre espaço para “atuação preventiva junto a clientes que apresentem sinais mais claros de deterioração financeira”. A linha já havia estreado com juros baixos, quando o Desenrola trocou taxas de 10% por 1,99% e enfrentou resistência de parte dos bancos.

O nó está no prazo

O atrito que a Febraban aponta é operacional. A medida provisória dá 90 dias, a contar de 29 de junho de 2026, para oferecer e contratar as operações. Mas a habilitação obrigatória perante o Banco do Brasil e a Caixa, mais os ajustes de tecnologia para plugar os sistemas ao dinheiro público e à garantia, consomem de três a quatro semanas sozinhos. “Assim, considerando as demais etapas operacionais, a janela efetiva para disponibilização da linha aos clientes pode ficar reduzida a cerca de duas semanas”, afirmou a federação. Para atrair mais bancos, a entidade pede duas coisas: tornar opcional o credenciamento que dá acesso ao dinheiro da União e, se possível, esticar a validade do programa.

A adesão e a oferta continuam como decisão individual de cada banco, conforme sua política de risco e o perfil do público elegível. O programa, que o governo lançou voltado a trabalhadores informais, tem os bancos públicos como agentes financeiros, e o BB já renegociou R$ 16,5 bilhões em dívidas em frentes do Desenrola.

O que observar

A tensão de fundo é entre o desenho fiscal do programa e o tempo de execução. Um funding majoritariamente público e uma garantia que absorve parte das perdas removem boa parte do risco que costuma travar crédito a quem já dá sinais de aperto, o segmento de pré-inadimplência que as instituições normalmente evitam. Só que política de crédito não muda em duas semanas: se a janela de contratação for mesmo curta, o volume originado nesta primeira rodada tende a ficar bem abaixo do potencial teórico. Vale acompanhar se o prazo será esticado e se o credenciamento facultativo entra na mesa, porque essa é a diferença entre um programa que roda no atacado e um que fica restrito a quem se habilitou a tempo. A pergunta é quanto do desconto de risco bancado pelo setor público vira crédito efetivamente contratado, e não apenas capacidade instalada.

Fontes: Valor EconômicoFebraban

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