O maior lobby dos bancos brasileiros deu seu veredito sobre a nova rodada do Desenrola Adimplentes: as regras cortam custo e risco de crédito e podem alargar o alcance do programa. O problema é o relógio. A Febraban calcula que o tempo de habilitação nos bancos públicos pode deixar apenas cerca de duas semanas úteis para colocar a linha na rua.
O que reduz custo e risco do banco no programa
| Elemento | Regra |
|---|---|
| Funding | 70% União, 30% bancos |
| Garantia (FGO) | 100% por operação, até 50% da carteira |
| Público elegível | Adimplentes e atraso de até 90 dias |
Estrutura do Desenrola Adimplentes segundo a Febraban. Fonte: Valor Econômico
Pelo desenho aprovado, 70% do dinheiro emprestado sai do caixa da União e 30% dos próprios bancos, o que alivia a captação e o capital que a instituição precisa imobilizar. A isso soma-se a cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), de 100% por operação e limitada a metade da carteira, que amortece as perdas. O público vai além dos bons pagadores: entra também quem já acumula até 90 dias de atraso. Isso, diz a federação, abre espaço para “atuação preventiva junto a clientes que apresentem sinais mais claros de deterioração financeira”. A linha já havia estreado com juros baixos, quando o Desenrola trocou taxas de 10% por 1,99% e enfrentou resistência de parte dos bancos.
O nó está no prazo
O atrito que a Febraban aponta é operacional. A medida provisória dá 90 dias, a contar de 29 de junho de 2026, para oferecer e contratar as operações. Mas a habilitação obrigatória perante o Banco do Brasil e a Caixa, mais os ajustes de tecnologia para plugar os sistemas ao dinheiro público e à garantia, consomem de três a quatro semanas sozinhos. “Assim, considerando as demais etapas operacionais, a janela efetiva para disponibilização da linha aos clientes pode ficar reduzida a cerca de duas semanas”, afirmou a federação. Para atrair mais bancos, a entidade pede duas coisas: tornar opcional o credenciamento que dá acesso ao dinheiro da União e, se possível, esticar a validade do programa.
A adesão e a oferta continuam como decisão individual de cada banco, conforme sua política de risco e o perfil do público elegível. O programa, que o governo lançou voltado a trabalhadores informais, tem os bancos públicos como agentes financeiros, e o BB já renegociou R$ 16,5 bilhões em dívidas em frentes do Desenrola.








