A equipe econômica pretende concluir até o fim de maio o desenho do Novo Desenrola Brasil para adimplentes, nova fase do programa voltada a quem paga dívidas em dia mas suporta juros altos em cartão de crédito e empréstimo pessoal. O lançamento está previsto para junho.
Fase para adimplentes: o que está no desenho
| Aspecto |
Detalhe |
| Dívidas elegíveis |
Cartão de crédito e empréstimo pessoal |
| Excluídas |
Financiamento imobiliário e linhas de juros baixos |
| FIES em dia |
Pode entrar no programa, a pedido de Lula |
| Garantia prevista |
FGO, com aporte de até R$ 5 bi autorizado pela MP 1.355/2026 |
| Condições |
Desconto e taxa de juros menor, ainda em definição |
| Lançamento previsto |
Junho de 2026 |
Formato em elaboração pela área técnica. Fonte: Valor Econômico
Cartão de crédito e empréstimo pessoal no foco
O governo decidiu estender o programa a adimplentes depois de identificar que o custo elevado do crédito consome os ganhos obtidos com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A leitura dentro do Planalto é que o alto endividamento anula esse benefício fiscal antes que ele chegue ao consumo. A inadimplência bateu recorde histórico em janeiro, pressionada pelo peso dos juros no orçamento das famílias.
A nova fase vai focar em linhas de custo elevado: cartão de crédito e empréstimo pessoal. Financiamento imobiliário e outras linhas com juros menores ficam de fora. Lula também pediu que débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em dia entrem na rodada. “O que nós estamos querendo fomentar aqui é a adimplência, é o pagamento das contas. É isso que nos interessa”, disse Dario Durigan, ministro da Fazenda, à Agência Brasil. Depois de finalizada pela área econômica, a proposta passa por validação do Palácio do Planalto, que pode solicitar alterações.
FGO cobre inadimplentes sem novo aporte; adimplentes ficam com a sobra
Para a fase dos inadimplentes, lançada no início de maio com desconto médio de 65% e taxa máxima de 1,99% ao mês, a área técnica calcula que o aporte extra de R$ 5 bilhões ao FGO autorizado pela MP 1.355/2026 não será necessário. Os R$ 2 bilhões já existentes no Fundo Garantidor de Operações mais os R$ 5 bilhões em recursos esquecidos nos bancos são suficientes, já que o programa de 2023 consumiu cerca de R$ 1,8 bilhão do FGO.
Para os adimplentes, o governo deve usar a sobra da rodada anterior ou parte do aporte da MP, em volume menor. A equipe técnica estima que o programa exigirá garantias menores por ser mais segmentado, tanto em relação ao tipo de dívida quanto ao público elegível. As condições de renegociação, que envolvem desconto e taxa de juros menor, ainda estão sendo definidas.
O que observar
A segmentação por tipo de dívida é o principal mecanismo para conter o risco moral. Especialistas e associações setoriais já apontam que a fase para inadimplentes “é de curto prazo” e cria o risco de incentivar consumidores a deixar de pagar dívidas na expectativa de novos ciclos de benefícios, conforme apurou o Valor. Ao restringir o escopo às linhas de custo mais alto e excluir financiamento imobiliário, a área técnica tenta reduzir esse efeito, mas não o elimina completamente.
O prazo também merece acompanhamento. O formato deve ser concluído pela área econômica até 31 de maio e depois validado pelo Palácio do Planalto, que pode solicitar mudanças. Qualquer revisão abre espaço para atrasar o lançamento previsto para junho. A trajetória do crédito digital com novas regras e o nível dos juros serão determinantes para o tamanho da demanda que o programa vai encontrar.
Fontes: Valor Econômico • Agência Brasil • Ministério da Fazenda • MP 1.355/2026 • Let’s Money • Let’s Money