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RegulaçãoPix · Apostas

Desenrola veda Pix crédito em bets; Bradesco e BB resistem

MP do Desenrola proíbe Pix crédito em bets; Bradesco e BB ainda liberam a modalidade em vácuo regulatório entre SPA e Banco Central.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

O artigo 16 da medida provisória do Novo Desenrola veda operações de crédito vinculadas a apostas, fechando uma lacuna que permitia usar o Pix crédito em bets, mas Bradesco e Banco do Brasil seguiam oferecendo a modalidade em teste realizado pela Folha nos dez maiores bancos do país. O texto não cita o Pix crédito diretamente porque a operação não tem regulamentação do Banco Central.

Pix crédito em bets: o quadro regulatório

Item Detalhe
Proibição vigente Art. 16 da MP Desenrola + Portaria SPA 615 (desde 2024)
Bancos que bloquearam Maioria dos 10 maiores (via CNPJ das bets)
Bradesco e Banco do Brasil Ainda liberavam (teste Folha, 15/05/2026)
Bets conseguem identificar? Não: Pix crédito chega como transferência comum
Punição às bets Suspensão de licença + multa de até R$ 2 bi
Punição a bancos Indefinida: SPA não tem alçada; BC não definiu regras

Resultado do teste da Folha nos dez maiores bancos. Fonte: Folha de S.Paulo

Por que as bets não conseguem bloquear

O Pix crédito funciona como uma ponte entre um instrumento de crédito do banco e uma transferência Pix comum: o banco contrata o crédito (cartão ou empréstimo pessoal), faz o repasse em Pix à vista para o estabelecimento, e o apostador fica com a dívida. Como a transferência chega à plataforma de apostas como um Pix regular, sem marcação de origem, as bets não têm como distingui-la de um pagamento à vista. O Banco Central confirmou esse funcionamento à Folha.

“Não tem como as bets saberem e bloquearem quando o Pix é feito na forma de crédito, pois a transferência chega como um Pix normal. Não existe uma distinção”, diz o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável). Plínio Lemos, presidente da ANJL, reforçou: “Trata-se de contratação de um crédito junto a operação financeira, como se fosse um empréstimo.”

A responsabilidade de identificar e bloquear recai, portanto, sobre os bancos, que têm acesso ao CNPJ do destinatário via Pix QR Code, padrão obrigatório para empresas. Nubank e PicPay, por exemplo, bloqueiam o Pix crédito e emitem alertas ao identificar o CNPJ de uma bet autorizada, das 131 empresas licenciadas, com lista pública no site da Fazenda. O impasse entre Banco Central e bancos sobre regulação do Pix crédito já vinha de antes: o BC desistiu de regulamentar o Pix parcelado em dezembro de 2025, deixando cada instituição definindo suas próprias regras para a modalidade.

Dois regimes, um vácuo de fiscalização

A arquitetura regulatória atual cria um impasse: a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), subordinada ao Ministério da Fazenda, pode punir as plataformas de apostas com suspensão de licença e multas de até R$ 2 bilhões, mas não tem competência para alcançar instituições financeiras. O Banco Central, por sua vez, supervisiona os bancos, mas ainda não definiu como vai fiscalizar o ponto. A Fazenda afirmou que “cabe às instituições financeiras e de pagamento o cumprimento das regras aplicáveis”, mas o BC não respondeu às perguntas da Folha.

Segundo José Francisco Manssur, advogado que participou da redação da lei de apostas no governo Lula, “a SPA ainda precisa soltar uma portaria que deveria dar a ela poder para punir os fornecedores dos operadores de apostas, não só os operadores. Aí fica um certo vácuo”, disse. O Bradesco lançou em janeiro seu próprio Pix parcelado fora do limite do cartão, expandindo o uso de crédito via Pix ao mesmo tempo em que o regulatório do segmento segue sem definição. Bradesco e Banco do Brasil disseram à Folha que atuam “em conformidade com a regulamentação vigente”.

O que observar

O vácuo de fiscalização tem duas dimensões que precisam ser resolvidas de forma independente: a competência para punir bancos que não bloqueiam Pix crédito em apostas, que exige ou nova portaria da SPA ou definição do Banco Central, e a regulamentação do próprio Pix crédito como instrumento de pagamento, que o BC abandonou em dezembro. O Novo Desenrola cria pressão política para que o segundo problema seja endereçado pelo primeiro, mas os dois temas têm trajetórias regulatórias distintas.

Vale acompanhar se a SPA emite a portaria que Manssur descreve como necessária para alcançar fornecedores das bets, se o Banco Central define regras mínimas para uso do Pix crédito em setores proibidos e se a publicidade de quais bancos bloqueiam ou não acelera uma convergência de mercado antes de qualquer ato normativo.

Fontes: Folha de S.PauloLet’s MoneyLet’s Money

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