A Digitra.com vai desligar a compra, a venda e a guarda de cripto para pessoa física e apontou a Foxbit como porta de saída aos cerca de 200 mil clientes que mantém na base, brasileiros e de fora do país. A corretora preferiu não pedir autorização ao Banco Central e ligou a decisão ao regime que passou a valer em fevereiro de 2026.
O calendário da saída
| Data |
O que acontece |
| 20 de agosto de 2026 |
Aviso aos clientes pelos canais oficiais da empresa |
| 21 de setembro de 2026 |
Prazo final para retirada de criptoativos |
| 19 de outubro de 2026 |
Prazo final para saque em reais |
| 30 de outubro de 2026 |
Encerramento completo previsto para a plataforma |
Cronograma informado pela empresa. Fonte: Valor Econômico
Por que a Digitra sai do varejo cripto
As Resoluções BCB 519, 520 e 521 foram publicadas em novembro de 2025 e passaram a valer em 2 de fevereiro de 2026. Elas puxaram quem negocia e guarda ativos virtuais para dentro do regime de autorização do Banco Central, com exigência de capital compatível com a operação, governança, segregação do dinheiro do cliente e controles de prevenção à lavagem. Quem já estava rodando ganhou uma janela de transição para protocolar o pedido, com prazo final em 30 de outubro de 2026. É a data prevista para a plataforma da Digitra.com sair do ar.
A empresa concluiu que a régua não fecha para um varejo que ainda busca escala e desistiu de entrar na fila. O aperto também não veio isolado: em julho de 2026, o BC igualou as regras prudenciais das plataformas de cripto às de corretora. Na direção oposta, gente de fora tem batido na porta do regulador: a Ripple pediu licença ao BC para ampliar a operação brasileira.
Para onde vão os clientes
A ida para a Foxbit é voluntária e nada anda sozinho: conta, saldo e ativos não são transferidos de forma automática, e cada cliente passa pelo cadastro, pela verificação e pelo compliance da corretora. Quem migrar terá desconto na taxa de negociação e taxa regressiva conforme o volume negociado.
O calendário aperta antes do que parece: a compra e a venda de ativos na plataforma vão só até 8 de setembro de 2026, e o que ficar em conta depois de 21 de setembro entra em liquidação compulsória a partir do dia 22, com conversão automática em reais para brasileiros e em USDT para estrangeiros, e as taxas dessas operações repassadas ao cliente. “A Foxbit é uma empresa consolidada, com alta liquidez, infraestrutura robusta e uma longa trajetória no mercado brasileiro”, disse Rodrigo Batista, CEO da Digitra.com, no anúncio do acordo.
É a segunda vez em dois meses que a Foxbit aparece como alternativa para a base de uma concorrente: em julho de 2026 ela já havia costurado acordo parecido com a NovaDAX. Em agosto de 2026, virou o primeiro cliente da plataforma com que o Bradesco vai guardar cripto de fundos e tesourarias.
O grupo também não abandona o setor por inteiro. “Estamos encerrando as operações voltadas aos investidores de varejo, mas ainda estamos pesquisando o mercado de infraestrutura para empresas”, respondeu a empresa ao Valor. Batista, segundo a companhia, segue vinculado às frentes de tokenização, mercados preditivos e produtos corporativos.
O que observar
O prazo de outubro funciona como filtro. Plataformas de médio porte que ainda não chegaram à escala precisam decidir entre bancar capital regulatório, time de compliance e auditoria ou entregar a base a quem já fez essa conta. Vale acompanhar quantas escolhem a segunda saída nas próximas semanas, porque cada migração voluntária empurra liquidez para um punhado de casas autorizadas e mexe no custo de negociação de quem investe pouco.
A outra ponta é a chegada dos bancos grandes à guarda institucional de ativos digitais, que acontece junto com o novo regime. Se a custódia migrar das corretoras nativas para balanços bancários, o controle do trilho troca de mãos, e fica em aberto se o investidor pessoa física ganha proteção equivalente à de outros produtos regulados ou apenas troca de intermediário. A pergunta seguinte é operacional: quantas horas de suporte e quantas taxas a mais cabem num cliente que migra de plataforma sem ter pedido nada.
Fontes: Valor Econômico • Digitra.com • Livecoins • Madrona Advogados