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Bancos e IAIA · Anthropic

CEO do JPMorgan chama Mythos de ‘arma nuclear’ nos bancos

Dimon admite que IA criará áreas em que o JPMorgan vai perder e classifica o Mythos da Anthropic como ‘arma nuclear’ no sistema bancário.

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· 3 min

Atualizado em

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, admitiu que a inteligência artificial criará áreas em que o maior banco dos EUA vai perder para concorrentes, e classificou o modelo Mythos, da Anthropic, como uma “arma nuclear” no sistema bancário. O banco integra o Projeto Glasswing, iniciativa criada pela Anthropic para conter os riscos do modelo.

Mythos vs. modelo anterior: detecção de vulnerabilidades no Firefox

Modelo Vulnerabilidades encontradas
Mythos (Anthropic) ~300
Modelo anterior (Anthropic) ~30

Detecção de vulnerabilidades no Firefox. Fonte: American Banker

1.000 aplicações, 50 com impacto real

O JPMorgan opera hoje com cerca de 1.000 aplicações de IA. Das quais, segundo Dimon, “há 50 ou 60 que eu classificaria como ‘significativas’. Estamos economizando dinheiro de verdade e vendo mudanças reais acontecendo.” O banco também testa uma ferramenta que transfere automaticamente o dinheiro do cliente entre conta corrente e produtos de corretagem de maior rendimento para otimizar retorno e fluxo de caixa.

A escala não elimina a ambivalência estratégica. “Isso vai criar áreas em que seremos melhores e nas quais poderemos vencer. Mas também provavelmente criará áreas em que perderemos, porque os concorrentes encontrarão maneiras de nos superar”, disse Dimon. O banco enfrenta competição crescente de fintechs e não-bancos que usam IA para escalar a um custo menor do que instituições tradicionais.

O risco que Dimon chama de nuclear

Em paralelo à expansão interna, o banco se viu no centro de uma discussão sobre o risco sistêmico do Mythos, o modelo mais recente da Anthropic. Capaz de encontrar vulnerabilidades de software em escala industrial, o Mythos identificou cerca de 300 brechas no Firefox, dez vezes mais do que o modelo anterior da mesma empresa. “É perigoso. É uma arma nuclear nas mãos de alguém”, afirmou Dimon.

Em abril, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o ex-presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alertaram CEOs dos grandes bancos sobre os riscos do modelo. A Anthropic respondeu lançando o Projeto Glasswing, consórcio criado em 7 de abril de 2026 com AWS, Apple, Cisco, CrowdStrike, Google, JPMorgan, Microsoft e outros para endereçar vulnerabilidades identificadas pelo modelo. A Anthropic comprometeu US$ 100 milhões em créditos de uso para as iniciativas do consórcio. A preocupação com o impacto de decisões de IA em larga escala não é nova: apagões causados por IA já obrigaram grandes plataformas a revisar processos de implementação.

Dimon disse que o acesso ao Mythos deve ser ampliado a outros bancos, com cautela. “Todos os grandes bancos estão trabalhando juntos agora. Estamos tentando informar outros bancos sobre nossa situação.” O banco prevê levar “um ano ou mais” para resolver suas próprias vulnerabilidades de aplicações. Dimon também sinalizou apetite por aquisições, com possibilidade de investir “US$ 10 bilhões ou US$ 20 bilhões na compra de alguma empresa” nos próximos dois anos, dependendo de preço e fit cultural.

No segmento de pagamentos, o banco opera em escala global, mas Dimon reconheceu que sem inovação em stablecoins e moedas de depósito digitais, “isso também poderá ser ameaçado”. A corrida por pagamentos agênticos envolve também bandeiras de cartão e emissores, não apenas bancos de grande porte.

O que observar

A divulgação do Mythos antes de uma liberação ampla representa uma escolha deliberada de gestão de risco com implicações para o setor inteiro. Modelos com capacidade de encontrar vulnerabilidades em escala industrial mudam o cálculo de risco operacional para toda a cadeia de software compartilhado que instituições financeiras dependem, incluindo infraestruturas de código aberto. A questão central é como reguladores definirão critérios de acesso gradual a modelos com esse perfil, sem criar assimetria competitiva relevante entre instituições que participam do consórcio e as que ficam de fora.

No curto prazo, vale acompanhar se o modelo de consórcio fechado como resposta a risco sistêmico vai se tornar padrão para liberações de modelos de alta capacidade, e como os reguladores do sistema financeiro de outros países vão se posicionar sobre acesso e responsabilidade.

Fontes: Banking DiveAmerican BankerLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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