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Diretor do BC rebate EUA e diz que críticos do Pix defendem empresas de cartão

Paulo Picchetti afirma que quem critica o Pix defende interesses de empresas de cartão, não da população brasileira. USTR investiga sistema sob Seção 301.

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· 2 min

Atualizado em

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, afirmou que “quem fala mal do Pix tem interesses que não são os da população brasileira”, em resposta a novas críticas do governo americano ao sistema de pagamentos. A declaração foi feita após evento na Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro, e reforça a posição do BC diante do relatório do USTR que aponta o Pix como prejudicial a Visa e Mastercard.

Cronologia: Pix na mira dos EUA

Data Evento
Jul/2025 USTR abre investigação Seção 301 contra o Brasil
1/abr/2026 Novo relatório cita Pix como “prática desleal” contra empresas americanas
2/abr/2026 Lula: “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix”
5/abr/2026 Colômbia declara apoio ao modelo Pix
7/abr/2026 Diretor do BC: críticos do Pix defendem interesses de empresas de cartão

Fonte: InfoMoney/ReutersMetrópoles

O que o relatório americano diz sobre o Pix

O documento do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), divulgado em 1 de abril, afirma que o Banco Central “criou, é proprietário, opera e regula o Pix” e que a plataforma “parece se engajar em uma série de práticas desleais”. O relatório faz parte de uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio, aberta em julho de 2025. O argumento central é que o Pix cria desvantagem competitiva para empresas americanas de pagamentos, como Visa e Mastercard.

A resposta institucional brasileira veio em cascata. Na quinta-feira, o presidente Lula declarou em Salvador que “o Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar”. Na segunda-feira, Picchetti endossou a posição ao vincular as críticas a interesses comerciais estrangeiros. O diretor também comentou o Drex, afirmando que a moeda digital brasileira tem “uma série de nós” para se viabilizar e que o processo “não é linear”, citando o equilíbrio entre confiabilidade e escalabilidade como principal desafio.

O que observar

A investigação sob Seção 301 pode resultar em retaliações comerciais, mas alterar um sistema de pagamentos instantâneos com adoção massiva no país teria custo político inviável. A questão mais relevante para o ecossistema de pagamentos é se a pressão comercial acelerará a abertura do Pix para participantes estrangeiros ou, ao contrário, reforçará a postura protecionista do regulador. O apoio da Colômbia ao modelo sinaliza que sistemas de pagamento instantâneo estatais estão se tornando instrumento de política externa, não apenas de inclusão financeira. Para bandeiras e adquirentes, vale acompanhar se a investigação americana gera pressão regulatória concreta ou permanece como peça retórica dentro da disputa tarifária mais ampla.

Fontes: InfoMoney/ReutersMetrópolesLet’s Money

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