A duplicata escritural deve acelerar o uso de dados estruturados e a integração tecnológica entre os participantes do crédito corporativo, aponta a Pesquisa de Duplicatas 2026 da Núclea. Para 82% das instituições financeiras o tema já virou estratégico, num mercado de recebíveis estimado em mais de R$ 11 trilhões por ano.
Pesquisa de Duplicatas 2026
| Indicador |
Resultado |
| Instituições com roadmap de implementação |
82% |
| Apontam coordenação e tecnologia como fator de sucesso |
mais de 60% |
| Empresas emissoras no mercado |
cerca de 1,5 milhão |
| Grandes empresas sacadoras |
mais de 18 mil |
Pesquisa de Duplicatas 2026, da Núclea com IBPad e Môre Consultoria. Fonte: TI Inside
O que os bancos já decidiram sobre a duplicata escritural
O estudo, conduzido em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad) e a Môre Consultoria, ouviu instituições financeiras, associações, cooperativas de crédito, varejo financeiro e representantes da economia real. Mostra que 82% das instituições já tratam a duplicata escritural como tema estratégico, com roadmap estruturado ou em parte estruturado, investimentos e cronogramas definidos. O tema deixou de ser visto só como exigência regulatória e passou a ocupar papel relevante nas estratégias de crescimento, modernização e competitividade.
A expectativa é otimista: 88% das instituições acreditam que o novo modelo ampliará a distribuição de crédito, pela redução da assimetria de informações e pela entrada de novos financiadores. Entre todos os participantes, 63% apontam a ampliação da oferta de crédito como principal sinal de sucesso e 41% citam a redução do custo dos financiamentos. É a mesma direção que o Let’s Money mapeou ao mostrar a virada da duplicata escritural do compliance para a eficiência operacional.
Por que a interoperabilidade decide o resultado
Para a Núclea, a integração entre sistemas é o que define o sucesso. “A interoperabilidade passa a ser uma camada central da nova infraestrutura do crédito corporativo. O mercado entende que o sucesso da duplicata escritural dependerá diretamente da capacidade de integração entre sistemas, registradoras, participantes e fluxos operacionais”, afirma Rodrigo Furiato, vice-presidente de negócios da Núclea. “Com a duplicata escritural, o mercado de recebíveis como garantia pode ser destravado, gerando a oportunidade de muitos títulos que hoje estão fora do sistema serem efetivamente negociados”, diz.
Núclea, Cerc e B3 aguardam o aval do Banco Central, esperado entre junho e julho, para iniciar a operação assistida, última etapa antes da implementação. A obrigatoriedade será escalonada: 12 meses após o início dessa fase para empresas de grande porte, mais seis meses para as de médio porte e outros seis para as pequenas. A pesquisa indica que integração, liquidação e conciliação devem concentrar as principais fricções, e a experiência do mercado de recebíveis de cartões, adotado entre 2020 e 2021 com falhas técnicas, ainda pesa na percepção de risco. “As registradoras passaram por uma longa bateria de testes individuais e de interoperabilidade, que foi a grande dor na época dos recebíveis de cartão”, afirma Furiato.
O que observar
A aposta do setor depende de uma variável que a própria pesquisa destaca: interoperabilidade real entre registradoras, sistemas e participantes. O histórico do registro de recebíveis de cartões mostra que fricções de integração e conciliação podem atrasar a adoção mesmo quando a infraestrutura está pronta. Vale acompanhar se liquidação e conciliação saem do papel durante a operação assistida e se o calendário escalonado segura o ritmo até a obrigatoriedade.
A pergunta operacional é quem captura o ganho. Se a maior previsibilidade das garantias amplia o crédito para emissores menores ou se concentra nas instituições de maior porte, que já chegam com roadmap estruturado enquanto a base de pequenas e médias empresas ainda entende pouco do instrumento. Para securitizadoras e fintechs de recebíveis, o teste será transformar dados padronizados em modelos de risco mais baratos, sem repetir os gargalos do ciclo anterior.
Fontes: TI Inside • Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money