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Durigan: governo dará garantia a juro de informal adimplente

Durigan diz que governo dará garantias a bancos para reduzir juros cobrados de informais bons pagadores. Anúncio do pacote sairá em breve, sem data.

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· 3 min

Atualizado em

José Cruz/Agência Brasil

A equipe econômica prepara um pacote de garantia federal para baixar o juro cobrado de quem trabalha por conta própria e mantém o crédito em dia. A sinalização veio do ministro Dario Durigan, em 18 de junho. Não há prazo nem percentual divulgado; segundo Durigan, o detalhe sairá “em breve”.

À TV Metrópoles, o titular da Fazenda argumentou que o custo do crédito pesa no orçamento das famílias. Pela leitura dele, quem está fora do vínculo formal de trabalho carrega a fatia mais alta da taxa cobrada pelo banco. A lógica do desenho, conforme apresentado pelo ministro, é premiar o adimplente: o Tesouro assume parte do risco, o banco baixa a taxa, e o tomador segue pagando. “Me parece uma medida de justiça e de incentivo ao bom pagador”, afirmou Durigan.

Continuidade do playbook de garantia federal

O movimento estende para o tomador informal o framework de garantia pública que a Fazenda já vem usando para reduzir o spread bancário em outras frentes. Em maio, o Banco do Brasil chegou a R$ 18,2 bilhões no Crédito do Trabalhador, o consignado privado lastreado em FGTS criado pelo governo. E ainda em maio, a equipe econômica sinalizou que mira destravar CDC sem garantia para adimplentes do Desenrola, com a mesma engenharia de cobertura parcial pelo Tesouro.

Em paralelo, o Desenrola tirou 4 milhões de nomes das listas de inadimplência desde a renegociação aberta pela Fazenda. Na série histórica do Let’s Money sobre o tema, o pacote agora ventilado por Durigan ataca o segmento que ficou de fora do consignado privado e do Desenrola: quem atua por conta própria e nunca atrasou, mas paga taxa próxima à do tomador médio porque o banco não consegue diferenciar o perfil.

O que Durigan disse e o que ainda falta detalhar

Item Anunciado por Durigan
Beneficiário Trabalhador informal que paga em dia
Mecanismo Governo dá garantia ao banco para reduzir a taxa
Justificativa Premiar o bom pagador, evitar inadimplência
Anúncio “Em breve”, sem data divulgada
Pontos abertos % de garantia, fonte de funding, banco operador, definição do “bom pagador” informal

Resumo da entrevista de Dario Durigan à TV Metrópoles em junho de 2026. Fonte: Valor Econômico

O ponto cego do “bom pagador” informal

Estender a lógica do consignado público para o trabalhador por conta própria esbarra em um problema operacional: não há contracheque para reter parcela na fonte, e o cadastro positivo voluntário cobre fração do público informal. Para o banco diferenciar quem é adimplente, ele depende de fontes alternativas, como histórico de pagamento de contas básicas, score de bureaus, dados do Open Finance, transações via Pix. Sem definir esse critério, a garantia federal vira subsídio uniforme, não prêmio ao adimplente.

Durigan não detalhou ainda nem o percentual da garantia, nem a fonte do recurso. O modelo do Crédito do Trabalhador usa o FGTS como colateral; o Pronampe usa o FGO; o FGI atende empresas médias. Para o informal sem CNPJ nem CTPS, o fundo garantidor precisa de desenho próprio.

O que observar

O desenho do pacote dirá mais do que o anúncio. Vale acompanhar três pontos: qual cadastro vai lastrear a definição de “adimplência” para quem não tem vínculo formal, seja bureaus de crédito, Open Finance, Pix recorrente, conta de luz; qual o percentual da garantia federal e a fonte do funding, considerando que o espaço fiscal está pressionado; e como bancos públicos vs. instituições privadas vão precificar essa garantia. Os atores mais impactados são fintechs de crédito a microempreendedor, instituições de pagamento que oferecem crédito a contas de conta própria, e bancos médios com carteira PJ pequena. Se a garantia for cheia, o subsídio é grande mas concentrado; se for parcial, o teste real é se a taxa final cai o suficiente para o tomador trocar o crediário informal pelo bancário.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: CDC sem garantia no DesenrolaLet’s Money: Crédito do Trabalhador no BBLet’s Money: Desenrola e inadimplência

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