A Fazenda estuda o que o ministro Dario Durigan chamou de “novas vacinas” para frear o endividamento das famílias brasileiras. Em entrevista nesta quinta-feira (17), ele sinalizou que virá mais uma rodada de renegociação, na esteira do Desenrola, ainda sem prazo nem desenho fechados.
O alvo desta vez muda de endereço. Segundo o ministro, o programa em análise mira os débitos antigos, aqueles cujos credores já não contam com o recebimento. A ideia é levar esses papéis a leilão e vendê-los por um valor bem abaixo do original, o que abriria margem para o devedor quitar com desconto elevado o que ficou para trás. O escopo, porém, não foi detalhado, e a medida segue em estudo dentro da equipe econômica.
As três frentes contra o endividamento
| Etapa | Foco declarado |
|---|---|
| Desenrola 1 | Primeira etapa, com desenho inicial de renegociação |
| Desenrola 2 | Segunda etapa de renegociação |
| Programa em estudo | Dívidas antigas; leilão dos débitos com grande desconto |
Medidas contra o endividamento das famílias, conforme declarações de Durigan. Fonte: Valor Econômico
A sequência do Desenrola
Durigan enquadrou o novo desenho como continuidade das rodadas anteriores. “O Desenrola 1 foi uma primeira vacina que teve um desenho, o Desenrola 2 foi uma segunda vacina e, como temos ainda presente o problema do endividamento, vamos seguir pensando em oferecer novas vacinas para que a gente ajude as pessoas a virar a página e, ao mesmo tempo, estruturar caminhos de crédito mais baratos, mais sustentáveis para as famílias”, disse o ministro a jornalistas.
O reconhecimento de que o problema persiste ecoa o diagnóstico do próprio governo. Mesmo depois de duas edições do programa, a inadimplência do crédito seguiu batendo recordes, sinal de que a renegociação limpa o nome do consumidor mas não resolve sozinha a origem das dívidas.
A segunda etapa concentrou boa parte da renegociação em poucos bancos grandes. Agora o foco passa a ser o estoque de débitos que os credores já deram como perdidos, uma fatia diferente do problema e que exige um mecanismo próprio para voltar ao radar da política econômica.








