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Fazenda estuda leilão de dívidas antigas com desconto

Durigan diz que a Fazenda estuda ‘novas vacinas’ contra o endividamento das famílias; novo programa miraria dívidas antigas em leilão com desconto.

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· 2 min

Atualizado em

Durigan Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A Fazenda estuda o que o ministro Dario Durigan chamou de “novas vacinas” para frear o endividamento das famílias brasileiras. Em entrevista nesta quinta-feira (17), ele sinalizou que virá mais uma rodada de renegociação, na esteira do Desenrola, ainda sem prazo nem desenho fechados.

O alvo desta vez muda de endereço. Segundo o ministro, o programa em análise mira os débitos antigos, aqueles cujos credores já não contam com o recebimento. A ideia é levar esses papéis a leilão e vendê-los por um valor bem abaixo do original, o que abriria margem para o devedor quitar com desconto elevado o que ficou para trás. O escopo, porém, não foi detalhado, e a medida segue em estudo dentro da equipe econômica.

As três frentes contra o endividamento

Etapa Foco declarado
Desenrola 1 Primeira etapa, com desenho inicial de renegociação
Desenrola 2 Segunda etapa de renegociação
Programa em estudo Dívidas antigas; leilão dos débitos com grande desconto

Medidas contra o endividamento das famílias, conforme declarações de Durigan. Fonte: Valor Econômico

A sequência do Desenrola

Durigan enquadrou o novo desenho como continuidade das rodadas anteriores. “O Desenrola 1 foi uma primeira vacina que teve um desenho, o Desenrola 2 foi uma segunda vacina e, como temos ainda presente o problema do endividamento, vamos seguir pensando em oferecer novas vacinas para que a gente ajude as pessoas a virar a página e, ao mesmo tempo, estruturar caminhos de crédito mais baratos, mais sustentáveis para as famílias”, disse o ministro a jornalistas.

O reconhecimento de que o problema persiste ecoa o diagnóstico do próprio governo. Mesmo depois de duas edições do programa, a inadimplência do crédito seguiu batendo recordes, sinal de que a renegociação limpa o nome do consumidor mas não resolve sozinha a origem das dívidas.

A segunda etapa concentrou boa parte da renegociação em poucos bancos grandes. Agora o foco passa a ser o estoque de débitos que os credores já deram como perdidos, uma fatia diferente do problema e que exige um mecanismo próprio para voltar ao radar da política econômica.

O que observar

Um leilão de dívidas antigas com desconto profundo mexe com toda a cadeia de recuperação de crédito. Quanto vale hoje uma carteira que o credor já baixou como perda? Se o abatimento for grande o bastante para o devedor quitar, sobra margem para quem arremata o papel, e é aí que entram securitizadoras, fundos de recebíveis e empresas de cobrança que vivem desse mercado. Vale acompanhar também se o desenho vai amarrar a renegociação a crédito mais barato e sustentável, como o ministro indicou, ou se vai apenas regularizar o CPF sem baixar o custo do crédito contratado depois. E há a variável de calendário: um programa ainda em estudo, sem escopo divulgado, dificilmente sai do papel no curto prazo.

Fontes: Valor Econômico

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