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Durigan: Pix está ‘fora de questão’ em tarifa dos EUA

Ministro da Fazenda diz que Pix é ‘maior símbolo da soberania’ e fica fora de negociação após USTR propor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

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· 3 min

Atualizado em

Durigan Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira (2) que o Pix está “fora de questão” em qualquer negociação com os Estados Unidos. A fala veio depois que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR propôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e citou o sistema como “tratamento preferencial injusto e discriminatório”).

Pontos da decisão preliminar do USTR sobre o Brasil

Item Detalhe
Tarifa proposta 25% sobre produtos brasileiros
Linguagem sobre o Pix “Tratamento preferencial injusto e discriminatório”
Posição do governo brasileiro Pix “fora de questão” para negociação

Pontos centrais da decisão preliminar do USTR. Fonte: Valor Econômico

A reação do governo Lula

“O Pix está fora de debate, é evidente que está fora de debate. O Pix é o maior símbolo da nossa soberania financeira. É um orgulho do nosso país, do nosso povo”, disse Durigan após reunião no Palácio do Planalto para coordenar a resposta brasileira. O ministro reiterou que o sistema “não está, em nenhum momento, em questão para debate” e que será “protegido e resguardado”.

Durigan também afirmou que o Pix ampliou o volume de operações das empresas de cartões de crédito, em argumento que tenta enfraquecer a tese central do USTR. Em resposta semelhante divulgada em abril, um diretor do Banco Central rebateu os críticos americanos e indicou que eles defendem empresas de cartão. Na reunião desta segunda também estiveram o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros do MDIC, Secom, Planejamento e Relações Institucionais, e o embaixador Mauricio Lyrio, do Itamaraty. Questionado sobre uma possível viagem aos EUA, Durigan respondeu apenas “pode ser que sim”.

A articulação que antecedeu a decisão

A decisão preliminar chegou no dia seguinte ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que pediu ao governo dos EUA para não taxar o Brasil. Nos últimos dias, o senador se reuniu com integrantes da Casa Branca e com o próprio Donald Trump, e enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo isenção para empresas brasileiras.

Durigan atribuiu a articulação contra o sistema diretamente à família do ex-presidente: “Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix”. A USTR abriu a investigação da Seção 301 em julho de 2025, com escopo que inclui pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O que observar

É o primeiro caso em que um sistema público de pagamentos brasileiro entra explicitamente em disputa comercial bilateral. Para bandeiras internacionais de cartão e adquirentes globais, a pressão por reciprocidade competitiva ganha endosso institucional inédito de uma autoridade comercial estrangeira. Mas o sinal do governo brasileiro é que infraestrutura pública de pagamentos não entra em mesa de barganha tarifária. Vale acompanhar como Itamaraty e MDIC vão formalizar a resposta técnica enquanto a Fazenda sustenta o discurso de soberania publicamente, e se a regulação local sobre interoperabilidade e arranjos de pagamento ganha tração nos próximos meses agora com a narrativa reforçada.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilInfoMoneyEstado de MinasLet’s Money: Diretor do BC rebate EUALet’s Money: Brasil responde à Seção 301

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