A Elo contratou Bank of America, UBS BB e Bradesco para coordenar seu IPO nos Estados Unidos, segundo fontes da Bloomberg News. A empresa trabalha para realizar o IPO no segundo semestre de 2026 e pretende captar até US$ 500 milhões, menos da metade da meta de US$ 1 bilhão tentada em 2021. A Elo disse que não há decisão sobre um potencial IPO.
Elo: dois planos de IPO
|
Tentativa 2021 |
Plano 2026 |
| Meta de captação |
US$ 1 bilhão |
Até US$ 500 mi |
| Valuation-alvo |
~US$ 4 bilhões |
A definir |
| Coordenadores |
Não divulgado |
BofA, UBS BB, Bradesco |
| Status |
Cancelado |
2º semestre 2026 |
Histórico de planos de IPO da Elo. Fonte: Bloomberg Línea
De joint venture a candidata ao mercado americano
Fundada em 2011 pelos três maiores bancos públicos e privados do Brasil, a Elo nasceu como alternativa à Visa e à Mastercard para reduzir as taxas que bancos brasileiros pagavam às redes globais. Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal reestruturaram suas participações em 2025 em preparação para o IPO, passando a deter fatias iguais na companhia. A Elo tem mais de 34 milhões de cartões ativos e cresceu durante a pandemia impulsionada pela distribuição de auxílio social pelo aplicativo Caixa Tem.
A empresa diversificou sua carteira à medida que o Pix reduziu o espaço do débito: a bandeira era mais dependente de cartões de débito do que suas rivais americanas e passou a expandir serviços de crédito. Em março, a Elo adquiriu tecnologia de IA do Chatbank e, em fevereiro, levou descontos automáticos a 1.500 supermercados, movimentos que sinalizam expansão de produto além do processamento de bandeira.
Fintechs brasileiras retomam os mercados de capitais
O movimento da Elo ocorre em um contexto de reabertura cautelosa do mercado de capitais para empresas brasileiras de pagamentos. Em janeiro de 2026, o PicPay estreou na Nasdaq, encerrando o jejum de IPOs brasileiros de quase cinco anos. O Agibank destravou pedido de IPO nos EUA no mesmo período, e a Compass Gás e Energia listou ações no Brasil neste mês, sinalizando que a janela começa a se abrir para empresas em setores consolidados.
A Elo chegou a ter valuation esperado de cerca de US$ 4 bilhões no plano de 2021, quando tentava levantar US$ 1 bilhão. A nova tentativa chega com meta significativamente menor, em mercado americano, coordenada por bancos que incluem um dos próprios acionistas da companhia. A Elo disse que “não há decisão sobre um potencial IPO” e que “continuamente avalia alternativas estratégicas e oportunidades nos mercados de capitais”.
O que observar
A estrutura do processo tem uma particularidade: um dos coordenadores do IPO é simultaneamente acionista com participação relevante na empresa que será ofertada. Isso cria assimetrias de informação e alinhamento de incentivos que investidores em potencial precisarão avaliar no prospecto. A forma como essa governança é apresentada ao mercado pode influenciar a precificação da oferta.
O interrogante central é o valuation: a empresa opera em um segmento onde o crescimento do Pix comprimiu o volume relativo de débito, seu produto historicamente mais forte. Como os coordenadores precificam o crescimento futuro em crédito e novos produtos frente a essa compressão é a variável-chave. O timing no segundo semestre de 2026 coincide com período pré-eleitoral no Brasil, o que historicamente eleva a volatilidade de ativos brasileiros negociados no exterior.
Fontes: Bloomberg Línea • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money