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Elo e Microsoft anunciam pagamento por IA dentro do Excel

Anunciada no Febraban Tech, a ferramenta roda como plugin do Excel, paga contas com agentes de IA e open finance e deve ser distribuída ainda em 2026.

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· 3 min

Atualizado em

Shutterstock

A planilha do Excel vai virar ponto de pagamento na pequena empresa. Elo e Microsoft apresentaram no Febraban Tech, na segunda-feira (24), um plugin que aciona agentes de IA e open finance para quitar contas sem sair do arquivo. A ferramenta está em testes internos, com distribuição prevista para este ano.

Como a pequena empresa brasileira controla despesas

Recurso ou indicador MPMEs
Planilhas 65%
Aplicativos e extratos bancários 52%
Cadernos e outros controles manuais 39% (cerca de 7,5 milhões de empresas)
Tempo semanal dedicado à tarefa 21,47 horas
Tarefa recai sobre donos ou sócios 46%

Panorama da Gestão de Despesas Corporativas no Brasil, edição 2025, de Conta Simples e Visa. Fonte: Visa

Por que a Elo escolheu a planilha do Excel

Instalado o plugin, o usuário faz login, dá o consentimento de open finance e passa a ver na planilha saldos, movimentações e notas fiscais de bancos diferentes. A própria planilha executa a transação e devolve o comprovante, o que encurta a conciliação. A solução aceita métodos diferentes de pagamento, e o Pix está entre eles.

A escolha do ponto de entrada tem lastro em comportamento: planilhas são o recurso mais usado na gestão de despesas das micro, pequenas e médias empresas brasileiras, com 65%, segundo o Panorama de Conta Simples e Visa. “[…] a gente já agrega valor no momento zero, onde as empresas estão”, afirmou o vice-presidente de Estratégia da Microsoft Brasil, Alessandro Jannuzzi. Atrás da planilha ficam agentes de IA no Azure, ligados por APIs ao open finance, com o Copilot como camada de conversa.

Esconder a infraestrutura atrás de uma ferramenta familiar é decisão de posicionamento. Em entrevista ao podcast Let’s Money em novembro de 2025, Luan Carlos, CEO da Setfin, resumiu a mesma escolha de linguagem: “Eu não vou colocar de cara ‘conecte no Open Finance’. Fala: conecta suas contas bancárias aqui, facilite a vida do seu contador.” Ele tratava de onboarding dentro de um aplicativo de gestão. A proposta anunciada agora dispensa até o aplicativo.

A bandeira empurra a fronteira para além do cartão

Para executar os pagamentos, a Elo trabalha com um iniciador de pagamento parceiro e avalia pedir licença própria. O alvo são fluxos em que o plástico pouco entrou: entre empresas, tanto o cartão quanto o Pix têm penetração baixa. “Pagamento via Pix é uma grande avenida, porque […] o Pix é subpenetrado no ‘business to business'”, disse Eduardo Merighi, que dirige a área de tecnologia da Elo.

O formato de distribuição segue em aberto, com a hipótese de entregar o recurso como benefício dos cartões de pessoa jurídica da bandeira. Embutir pagamento em software que a empresa já usa tem precedentes: em julho, o open banking chegou a PMEs do Reino Unido e da Irlanda pelo software contábil da Sage, e em junho a Visa estreou no Brasil uma plataforma B2B sem cartão físico.

No risco, a ferramenta prevê bloqueio preventivo de transações fora do padrão ou apenas o alerta, conforme o cliente configurar. O obstáculo maior está antes: a adesão de empresas ao open finance esbarra na exigência de assinatura de todos os sócios, e a penetração entre companhias é de 3%, segundo Chen Wei Chi, sócio da EY, em avaliação de janeiro de 2026.

O que observar

O ponto de teste é a troca proposta. Bandeiras e provedores de nuvem pedem à pequena empresa um consentimento de open finance, algo que ela historicamente evita, em troca de automação numa ferramenta que ela já domina. Vale acompanhar se a distribuição atrelada a cartão corporativo acelera consentimentos ou apenas desloca o atrito para a instalação.

O segundo ponto é de território. Quando a execução do pagamento migra para a camada de produtividade, quem controla a planilha disputa espaço com plataformas de gestão financeira e iniciadores de pagamento independentes. A pergunta é se as bandeiras entram como infraestrutura, cobrando pelo trilho, ou como produto final.

Fontes: Valor EconômicoVisaLegismapLet’s Money Podcast

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