Murilo Wadt, cofundador e Diretor Geral da HealthBit. Crédito: Bernardo Coelho
A HealthBit, consultoria de saúde corporativa, lançou a Plataforma de Saúde Financeira, solução voltada a apoiar colaboradores em situações de superendividamento e de uso compulsivo de apostas. A ferramenta combina tecnologia, inteligência de dados e acompanhamento especializado e chega em um momento em que o estresse financeiro passa a ser tratado também como questão de gestão de pessoas.
O lançamento se apoia em um cenário de endividamento estrutural no país. Segundo o estudo Estatísticas Monetárias e de Crédito, do Banco Central, cerca de 49,8% das famílias brasileiras convivem com dívidas, enquanto o comprometimento da renda para o pagamento dessas obrigações chegou a 28,5%.
Endividamento e apostas em números
Indicador
Dado
Famílias com dívidas
49,8%
Comprometimento da renda
28,5%
Saúde mental afetada por finanças
84%
Apostadores na Copa do Mundo
+300%
Dados citados no release. Fontes: Banco Central, Serasa/Opinion Box e Klavi
Quando a dívida vira questão de RH
Saúde financeira e saúde mental caminham juntas, aponta o material da consultoria. Um levantamento da Serasa em parceria com a Opinion Box revelou que 84% dos brasileiros afirmam já ter tido a saúde mental afetada por problemas financeiros. Entre os principais impactos estão alterações no humor e na estabilidade emocional (48%), na autoestima (44%), na energia e disposição (32%) e na concentração no trabalho e nos estudos (30%).
O que antes era tratado como questão individual passou a preocupar as empresas. O endividamento pode se refletir em indicadores como aumento do absenteísmo e do presenteísmo, maior demanda por antecipação salarial e queda de produtividade. Com a vigência da NR-1, foi ampliada a responsabilidade na identificação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, entre eles o estresse financeiro crônico.
Segundo o pesquisador Sendhil Mullainathan, autor do livro Scarcity: Why Having Too Little Means So Much, o impacto do estresse financeiro pode equivaler a uma perda temporária de até 13 pontos de QI, porque a mente permanece ocupada administrando o problema.
Publicidade
Apostas esportivas ampliam o desafio
A popularização das apostas esportivas torna o cenário mais desafiador. Grandes eventos costumam impulsionar o comportamento. Durante a Copa do Mundo, levantamento da plataforma financeira Klavi apontou aumento de 300% no número de apostadores ao longo da competição. O valor médio depositado pelos usuários passou de R$ 188 para R$ 245,05, chegando a ultrapassar R$ 500 às vésperas de partidas da Seleção Brasileira.
“Hoje, os sinais de que um colaborador enfrenta dificuldades financeiras aparecem nos indicadores de RH: no aumento do absenteísmo, do presenteísmo, dos pedidos recorrentes de antecipação salarial e do adoecimento”, afirma Murilo Wadt, cofundador e Diretor Geral da HealthBit. “Em muitos casos, por trás desses indicadores estão situações de superendividamento ou comportamentos compulsivos, como o vício em apostas, que costumam vir acompanhados de ansiedade, vergonha e isolamento.”
Como funciona a plataforma
A solução foi desenvolvida com base na educação financeira comportamental e está estruturada em uma jornada de quatro etapas: Despertar, Transformação, Suporte Ativo e Resultados. Entre os recursos estão diagnóstico financeiro, renegociação de dívidas, estratégias para reduzir a exposição às plataformas de apostas, acompanhamento psicológico e educação financeira personalizada, com sigilo e conformidade com a LGPD.
As empresas acompanham a evolução das intervenções por dashboards executivos, com indicadores baseados em escalas como PFWB e PGSI. Segundo a HealthBit, fundada em 2015 e parte do Grupo RD desde 2021, a plataforma também contribui para as estratégias de ESG, nos pilares Social e de Governança. “Nosso ambiente atua sem julgamento, oferecendo acolhimento, segurança psicológica e total confidencialidade”, afirma Murilo Wadt.
O que observar
A plataforma interessa a áreas de RH e a empresas que passam a responder pela gestão de riscos psicossociais sob a NR-1, e a colaboradores expostos ao superendividamento e ao uso compulsivo de apostas. Vale acompanhar a adesão das organizações, os efeitos medidos pelas escalas PFWB e PGSI e como o tema do endividamento no ambiente de trabalho evolui à medida que as apostas esportivas se popularizam no país.