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Equifax, dona da Boa Vista, compra bureau no México

A Equifax, dona da Boa Vista, comprou o Círculo de Crédito por US$ 750 milhões e amplia sua consolidação de bureaus de crédito na América Latina.

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· 3 min

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Piotr Swat / Shutterstock.com

A Equifax fechou a compra de 100% do Círculo de Crédito, o bureau de crédito que mais cresce no México, por um valor de negócio de US$ 750 milhões. A dona da Boa Vista no Brasil amplia sua consolidação na América Latina e leva ao mercado mexicano sua tecnologia de IA e de dados alternativos para pontuar quem está fora do sistema bancário.

Círculo de Crédito em números

Indicador Valor
Valor de negócio US$ 750 milhões
Preço de compra US$ 825 milhões
Receita (12 meses até jun/2026) US$ 134 milhões (+31%)
Ebitda ajustado US$ 62 milhões
Clientes Mais de 1.700
Base de dados 2 bi de tradelines / 80 mi de identidades

Termos do acordo e dados operacionais do Círculo de Crédito. Fonte: Equifax

A aposta em dados alternativos

O Círculo de Crédito é o único bureau mexicano que opera serviços de crédito ao consumidor e às empresas ao mesmo tempo, com mais de 1.700 clientes entre bancos, varejistas, fintechs, financeiras de pequeno porte, microcrédito e telecom. Sua carteira somou receita de US$ 134 milhões, alta de 31%, nos 12 meses encerrados em junho de 2026, com US$ 62 milhões de Ebitda ajustado.

O ativo mais valioso não está no balanço: é o uso de dados alternativos, como transações da economia informal e histórico de pagamento de contas de luz e telefonia, para montar um retrato de crédito de quem nunca teve conta. Num país com mais de 33 milhões de pessoas em trabalho informal, isso vira infraestrutura de inclusão. “O México é um dos mercados de crédito que mais crescem no mundo. Mais de 25% da população mexicana não tem acesso a produtos financeiros formais, e quase 44% não tem conta bancária”, disse Mark Begor, CEO da Equifax (em tradução livre). A compradora promete levar ao bureau sua tecnologia de IA proprietária e suas ferramentas de identidade e prevenção a fraude.

O que a compra significa para o Brasil

A Equifax não é estranha à América Latina. No Brasil, ela comprou a Boa Vista Serviços em 2023, segundo maior bureau do país, num negócio avaliado em cerca de US$ 596 milhões, e hoje disputa espaço com Serasa Experian e o consórcio por trás do Quod. Os dados dessa operação já mostraram, por exemplo, que a inadimplência em bancos digitais cresce mais rápido que a base de clientes.

A jogada mexicana repete a receita: entrar num mercado grande e pouco bancarizado com dados alternativos e IA embarcada. É o mesmo terreno em que os bureaus globais correm para embutir inteligência artificial no score, movimento em que a Experian lançou um app de score dentro do ChatGPT. A conclusão do negócio está prevista para o quarto trimestre de 2026, sujeita a aprovação regulatória.

O que observar

A consolidação de bureaus de crédito por grupos globais levanta uma pergunta de concentração de dados. Em mercados com alta informalidade, quem controla o histórico alternativo (contas de consumo, telefonia, transações de economia de bico) passa a influenciar quem entra ou não no sistema de crédito. Vale acompanhar como as autoridades de defesa da concorrência vão tratar operações que reúnem bases de identidade e tradelines de escala nacional, e se fintechs de crédito que dependem desses bureaus como fornecedores vão enfrentar mudança de preço ou de acesso conforme a base troca de dono. O teste prático será a régua de aprovação regulatória prevista para o fim de 2026.

Fontes: FinextraEquifaxLet’s MoneyLet’s Money

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