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IASegurança · cibersegurança

Estudo alerta: 67% das empresas priorizam IA sobre segurança

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Solen Feyissa na Unsplash

Duas em cada três empresas globais já priorizaram a adoção de inteligência artificial mesmo diante de riscos de segurança conhecidos. O levantamento “Securing the AI-Powered Enterprise”, da TrendAI, ouviu 3.700 líderes de negócios e TI e aponta um descompasso crescente entre velocidade de implementação e maturidade de governança.

Radiografia da adoção de IA nas empresas

Indicador Resultado
Pressionados a aprovar IA apesar de riscos 67%
IA evolui mais rápido que a proteção 57%
Confiança moderada em marcos legais 64%
Políticas abrangentes de IA implementadas 38%
Falta de clareza regulatória como barreira 41%

Fonte: TrendAI

Governança não acompanha o ritmo da adoção

O estudo identifica falhas estruturais na governança e indefinições sobre responsabilidade na gestão de riscos. Em muitos casos, equipes de segurança atuam de forma reativa a decisões vindas da liderança, o que favorece o surgimento do chamado “shadow AI”, o uso de ferramentas não autorizadas dentro das organizações. Apenas 38% das empresas possuem políticas abrangentes de IA já em vigor.

“As organizações não carecem de consciência sobre os riscos, mas sim das condições necessárias para gerenciá-los”, disse Rachel Jin, Chief Platform & Business Officer e Head da TrendAI. O cenário se agrava quando pesquisas de ameaças da própria TrendAI mostram que cibercriminosos já utilizam IA para automatizar reconhecimento, acelerar campanhas de phishing e reduzir barreiras de entrada para ataques. No Brasil, o Banco Central já alertou que segurança cibernética precisa ultrapassar os limites da área de TI nas instituições financeiras.

Confiança limitada em sistemas autônomos

Quando o tema é IA agêntica, sistemas capazes de tomar decisões e executar ações de forma autônoma, a confiança das empresas cai. Menos da metade (48%) acredita que esse tipo de tecnologia trará melhorias significativas para a ciberdefesa no curto prazo. Entre os riscos apontados, 44% destacam o acesso de agentes de IA a dados sensíveis como a maior ameaça, enquanto 36% alertam que comandos maliciosos podem comprometer a segurança.

Outros 33% mencionam o aumento da superfície de ataque para cibercriminosos, e 31% admitem não ter visibilidade ou capacidade de auditoria sobre esses sistemas. Cerca de 40% das empresas defendem a criação de mecanismos de desligamento emergencial (“kill switch”) para interromper sistemas em caso de falhas, enquanto quase metade sequer tem posição definida sobre o tema. Soluções como a da Mastercard, que treina IA com bilhões de transações para combater fraudes, ilustram como o setor financeiro tenta equilibrar adoção e controle.

O que observar

O dado mais revelador do estudo não é o percentual de empresas pressionadas, mas a combinação entre pressão e ausência de estrutura: 67% sentem urgência para adotar IA, mas apenas 38% têm políticas implementadas. Para setores regulados como o financeiro, esse gap representa risco operacional concreto. Instituições que incorporam modelos de IA em processos de crédito, prevenção a fraudes ou atendimento sem governança definida podem enfrentar questionamentos regulatórios à medida que marcos legais se consolidem.

Vale acompanhar se a ausência de consenso sobre mecanismos de controle, como o “kill switch” defendido por 40% dos entrevistados, vai acelerar iniciativas regulatórias setoriais. O prazo entre adoção e regulação costuma ser o período de maior exposição, e empresas que não formalizarem políticas de governança de IA nesse intervalo podem acumular passivos difíceis de reverter.

Fontes: TrendAITI InsideCISO AdvisorLet’s Money

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