Pagou Fácil: Brasil chega a 83,9 milhões de inadimplentes
O Pagou Fácil registrou dívida média de R$ 1.687,27 por pessoa em agosto, com o endividamento das famílias brasileiras em recorde pelo sétimo mês seguido.
O Brasil registrou 83,9 milhões de inadimplentes em agosto de 2026, com dívida média de R$ 1.687,27 por pessoa, segundo levantamento do Pagou Fácil, plataforma digital da Paschoalotto. O número de inadimplentes ficou praticamente estável em relação a julho, com alta de 0,06%, mas o endividamento das famílias brasileiras permanece em patamar recorde pelo sétimo mês consecutivo.
Em agosto, 82% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, enquanto 29,9% estão com contas em atraso e 12,5% afirmam não ter condições de pagar o que devem, o maior nível desde fevereiro de 2026. O prazo médio de atraso chegou a 65 dias, e 19,2% das famílias já comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas.
A inadimplência no Brasil em agosto de 2026
Indicador
Dado
Inadimplentes no país
83,9 milhões
Dívida média por pessoa
R$ 1.687,27
Total de dívidas em atraso
R$ 592 bilhões
Acordos por canais digitais
42% (julho de 2026)
Dados informados pela empresa. Fonte: Pagou Fácil / Paschoalotto
Renda mais baixa concentra a alta
Entre os grupos de renda analisados, as famílias com até três salários mínimos foram as únicas em que a inadimplência avançou no período, passando de 38,5% para 38,8%. Nos demais grupos, o indicador se manteve estável ou recuou, o que reforça a concentração do problema entre a população de menor poder aquisitivo.
O levantamento também traça um raio-x da inadimplência por estado. O Amapá aparece no topo do ranking, com 64,94% de representatividade de pessoas inadimplentes, a maior taxa do país. No extremo oposto está o Piauí, com 40,86%, a menor proporção entre os estados analisados.
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Perfil e valor das dívidas
A distribuição do inadimplente brasileiro é praticamente equilibrada, com leve maioria feminina: 50,6% de mulheres contra 49,4% de homens. Os adultos entre 41 e 60 anos concentram a maior fatia, com 35,8% do total. O valor médio da dívida subiu para R$ 1.687,27 por inadimplente, e o total das dívidas em atraso no país chegou a R$ 592 bilhões, alta de 0,96% em relação a julho de 2026. Como o número de inadimplentes cresceu apenas 0,06% no mesmo período, o valor das dívidas está subindo mais rápido do que o número de devedores.
O desemprego segue como causa isolada mais citada, com 43,24% das respostas, seguido por atraso de salário ou de outros rendimentos, com 38,39%. Juntos, os dois motivos ligados à perda ou instabilidade de renda respondem por mais de 80% dos casos. Em relação ao tipo de dívida, cartões de crédito e outras dívidas bancárias respondem por 27,3% do total, seguidos por contas básicas, como água, luz e telefone, com 20,7%. Financeiras aparecem com 20,1% e serviços como TV por assinatura e internet somam 11,5%.
Negociação digital mais que dobra em três anos
Um dos destaques do estudo é a consolidação dos canais digitais como via preferencial de negociação de dívidas. Segundo dados internos da Paschoalotto, a fatia de pagamentos negociados por canais digitais saltou de 20,5% em 2023 para 32% no mesmo período de 2025 e chegou a 42% em julho de 2026, mais que o dobro em três anos. O movimento reflete uma mudança de comportamento do devedor, que tem buscado renegociar dívidas sem depender de contato telefônico ou presencial.
“A digitalização vem transformando profundamente a jornada de negociação de dívidas. O consumidor passou a buscar soluções mais rápidas, simples e disponíveis no seu tempo, sem depender exclusivamente de canais tradicionais de atendimento. O avanço dos acordos realizados por plataformas digitais mostra que tecnologia, aliada a uma boa experiência, é um fator decisivo para aproximar empresas e clientes e aumentar a efetividade da recuperação de crédito”, avalia Diego Martins Mosquim, diretor de Planejamento e Qualidade da Paschoalotto.
O que observar
O estudo concentra a inadimplência entre as famílias de menor renda, com o Amapá no topo do ranking estadual. Vale acompanhar se a estabilidade do número de inadimplentes em agosto se mantém nos próximos meses, se o valor médio das dívidas segue subindo mais rápido do que o total de devedores e como os canais digitais evoluem como via de negociação, já responsáveis por 42% dos acordos fechados em julho de 2026.