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Europa integra 5ª moeda a sistema instantâneo de pagamentos

A Islândia entra no sistema TIPS do Eurosistema e torna a króna a 5ª moeda em liquidação instantânea em moeda de banco central, prevista para 2028.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Christian Lue na Unsplash

A Islândia vai conectar a coroa islandesa ao TIPS, o sistema de pagamento instantâneo do Eurosistema, e torna a moeda do país a quinta a liquidar transferências em tempo real em moeda de banco central, a partir de 2028. O movimento estende para fora da zona do euro um modelo de trilho compartilhado, diferente da expansão bilateral do Pix brasileiro.

As moedas do sistema TIPS

Moeda Status
Euro Disponível
Coroa sueca Disponível
Coroa dinamarquesa Disponível
Coroa norueguesa Prevista para 2028
Coroa islandesa Prevista para 2028 (5ª moeda)

Moedas para liquidação no sistema TIPS. Fonte: Finextra

Como a Europa monta um trilho instantâneo multimoeda

O TIPS é o sistema de liquidação de pagamentos de varejo do Eurosistema. Ele permite que bancos e prestadores de serviços de pagamento ofereçam transferências de fundos em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa já liquidam pela plataforma. A coroa norueguesa entra em 2028, quando o Norges Bank firmou acordo de liquidação instantânea com o Eurosistema, e a coroa islandesa chega na mesma janela.

Para a Islândia, o passo formaliza um interesse que o banco central do país começou a avaliar em 2024, quando iniciou o estudo de viabilidade para liquidar pagamentos em moeda de banco central tanto em euro quanto em coroa islandesa. A adesão alinha o país às práticas do Sepa, o padrão europeu de pagamentos.

“Estamos felizes que cada vez mais países europeus, inclusive de fora da União Europeia, estejam aderindo aos Serviços Target do Eurosistema”, disse Christine Lagarde, presidente do BCE, ao destacar que o movimento reforça a “autonomia estratégica” da infraestrutura financeira europeia (em tradução livre). “Aderir ao Tips vai reforçar tanto a segurança quanto a eficiência dos pagamentos instantâneos na Islândia”, afirmou Ásgeir Jónsson, presidente do banco central islandês (em tradução livre).

O que muda na corrida da interoperabilidade

O movimento europeu acontece enquanto sistemas de pagamento instantâneo de vários países buscam formas de conversar entre si. Na Europa, a aposta é um trilho multimoeda compartilhado: vários países liquidam suas moedas na mesma infraestrutura. Na Ásia, o caminho é outro, via Projeto Nexus, do BIS, que conecta sistemas instantâneos de Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia para transferências internacionais em até 60 segundos.

O Brasil tem seguido uma rota mais bilateral. O Pix Internacional mira a América Latina com liquidação em segundos, e a própria União Europeia obrigou seus bancos a oferecer pagamentos instantâneos até 2027. A combinação de Pix e Open Finance dá ao país base técnica para entrar nesses corredores, mas ainda sem um arranjo definido de como a moeda local liquidaria fora de fronteira.

O que observar

O ponto a acompanhar é qual modelo de interoperabilidade ganha tração: o trilho multimoeda compartilhado, em que vários países liquidam na mesma infraestrutura sob um operador central, ou a malha de conexões entre sistemas nacionais que preservam autonomia. Para bancos e prestadores de pagamento de mercados emergentes, a escolha tem efeito operacional direto, da arquitetura de mensageria à gestão de liquidez em mais de uma moeda.

A pergunta que fica é se a liquidação em moeda de banco central, vantagem central do modelo europeu, vira requisito implícito para quem quiser plugar em corredores internacionais. Se isso se confirmar, reguladores que hoje operam trilhos instantâneos domésticos podem ser pressionados a definir como suas moedas liquidam fora de fronteira, um debate que ainda está em aberto para o Pix.

Fontes: FinextraBanco Central EuropeuNorges BankBIS

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