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Febraban e ABBC somam 2,2 mil sanções no consignado

A autorregulação do crédito consignado, criada por Febraban e ABBC, já aplicou mais de 2,2 mil punições, com 132 empresas impedidas de atuar.

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A autorregulação do crédito consignado, mecanismo criado pela Febraban e pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) em 2020, já aplicou mais de 2,2 mil punições acumuladas a correspondentes e agentes de crédito no país. No balanço mais recente, as fiscalizações resultaram no impedimento de 132 empresas que atuavam em nome dos bancos autorregulados e na suspensão por 12 meses de 17 agentes que atingiram a pontuação máxima de 20 pontos. O tema aparece num momento em que o teto de juros discutido pelo Banco Central pode afastar bancos do consignado.

Além dos bloqueios definitivos, foram aplicadas 1.200 advertências e 928 suspensões temporárias a correspondentes. Participam da autorregulação 78 instituições financeiras, que representam cerca de 99% do volume total da carteira de consignado.

As sanções acumuladas

Medida Quantidade
Advertências a correspondentes 1.200
Suspensões temporárias 928
Empresas impedidas de atuar 132
Agentes suspensos por 12 meses 17
Multa à instituição financeira de R$ 45 mil a R$ 1 milhão

Balanço mais recente da autorregulação. Fonte: Febraban e ABBC

Ligação indesejada acumula 6,4 milhões de bloqueios

Entre 2 de janeiro de 2020 e 31 de julho de 2026, a plataforma Não Me Perturbe recebeu 6.485.033 solicitações de bloqueio de números de telefone para ofertas indesejadas de crédito consignado. O Sudeste concentra 53,86% dos pedidos, com 3.492.761 solicitações, seguido pelo Sul, com 18,42%, e pelo Nordeste, com 14,74%. São Paulo lidera entre os estados, com 2.009.285 pedidos, à frente de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Para conter o assédio comercial, os bancos participantes não remuneram os correspondentes por novas operações em nome de consumidores que estão registrados na plataforma ou que desbloquearam o número há menos de 180 dias. A autorregulação também se apoia na Instrução Normativa 138 do INSS, que exige das instituições conveniadas a adesão às regras do Não Me Perturbe.

Reclamação e ação judicial entram no cálculo

A aferição das irregularidades usa as reclamações procedentes registradas nos canais internos dos bancos e as recebidas por Procons, Banco Central e Consumidor.gov.br, além de ações judiciais e de indicadores de conformidade apurados por uma consultoria independente. As multas aplicadas às instituições são destinadas a projetos de educação financeira.

“A intensificação contínua do monitoramento de reclamações e a aplicação das sanções reforçam a governança e a integridade das operações no crédito consignado. […] a proteção dos direitos dos consumidores e o combate incessante ao assédio comercial são prioridades absoluta dos bancos”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.

“A aplicação de mais de 2,2 mil sanções demonstra que a Autorregulação do Consignado dispõe de mecanismos concretos de fiscalização, apuração e responsabilização de condutas lesivas ao consumidor”, afirma Leandro Vilain, CEO da ABBC. As regras alcançam empréstimo consignado, cartão de crédito consignado e cartão benefício, para aposentados e pensionistas do INSS, servidores públicos e trabalhadores com carteira assinada, público que atraiu o Mercado Pago para o consignado privado em agosto de 2026.

O que observar

O balanço interessa a quem opera originação por correspondente, onde a régua de conduta passou a ter efeito prático sobre quem pode vender. Os pontos a acompanhar são o ritmo das novas sanções agora que o consignado privado ampliou a base de tomadores, o volume de bloqueios na plataforma depois da entrada de novos ofertantes e a proporção entre advertência e impedimento definitivo, que indica se a régua está apertando.

Fontes: FebrabanNão Me PerturbeLet’s Money: BC diz que teto de juros pode afastar bancos do consignadoLet’s Money: Mercado Pago entra no consignado privado do trabalhador CLT

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