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RegulaçãoInternacional · Federal Reserve

Fed propõe abrir FedNow para pagamentos cross-border com intermediários

Federal Reserve propõe permitir intermediários no FedNow, abrindo caminho para pagamentos internacionais instantâneos. Sistema tem 1.500 bancos e processou US$ 245 bi no último trimestre.

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· 2 min

Atualizado em

Crédito: Fed/Divulgação

O Federal Reserve propôs permitir que bancos e cooperativas de crédito usem intermediários para transferir recursos pelo FedNow, abrindo caminho para pagamentos cross-border instantâneos via o sistema americano. Hoje, uma transferência pelo FedNow só pode envolver dois bancos americanos. Com a mudança, instituições poderão usar correspondentes bancários para viabilizar a etapa internacional de uma remessa.

O que muda na regra do FedNow

Aspecto Regra atual Regra proposta
Participantes por transferência Apenas 2 bancos americanos Permite intermediários na cadeia
Intermediários Só Reserve Banks Correspondentes e outros intermediários
Escopo Apenas doméstico Cross-border via correspondentes
Alinhamento Regra própria do FedNow Alinhado ao Fedwire (permite intermediários há décadas)

Baseado no press release e na board memo do Fed. Fonte: Federal Reserve

De infraestrutura doméstica a trilho cross-border

A proposta foi aprovada por unanimidade pelo board do Fed em 7 de abril e está aberta a comentários públicos por 60 dias após publicação no Federal Register. Quando o Fed anunciou os detalhes do FedNow em 2020, já havia sinalizado que o serviço começaria apenas com pagamentos domésticos, mas que capacidades cross-border seriam consideradas posteriormente. Lançado em julho de 2023 como a primeira nova infraestrutura nacional de pagamentos dos EUA em cerca de 40 anos, o FedNow já conta com mais de 1.500 instituições financeiras participantes em todos os 50 estados, alcançando aproximadamente 40% das contas de depósito à vista. “Pagamentos instantâneos são o novo normal no movimento de dinheiro”, disse Nick Stanescu, Chief FedNow Executive, em novembro. No segundo trimestre de 2025, o sistema processou US$ 245 bilhões em transações, um salto de 49.000% em relação ao mesmo período de 2024.

Em episódio do podcast Let’s Money, Alexandre Goes, Diretor Geral da Ren Payments by Euronet, apontou a oportunidade criada pela fragmentação bancária americana: “É um caminho sem volta. Os bancos, talvez eles não estão aderindo na velocidade que nós tivemos a aderência aqui no Brasil, mas é um caminho sem volta.” Goes descreveu o modelo de payment hub que conecta bancos ao FedNow, Swift e Fedwire numa única integração, exatamente o tipo de intermediação que a nova regra passaria a permitir formalmente.

O que observar

A mudança alinha o FedNow ao Fedwire, que já permite intermediários há décadas, mas o impacto potencial é maior: pagamentos instantâneos cross-border são um mercado onde os EUA estão visivelmente atrás. Enquanto o Pix no Brasil atingiu escala pela obrigatoriedade, o modelo voluntário americano produziu mais de 1.500 adesões, mas a maioria das instituições ainda só recebe, sem enviar. A capacidade cross-border pode ser justamente o incentivo que faltava para bancos ativarem o envio: correspondentes que já processam remessas internacionais ganham um rail instantâneo sem trocar de infraestrutura. Vale acompanhar se os 60 dias de consulta pública atraem objeções relevantes ou se a regra avança sem fricção, o que sinalizaria convergência do mercado em torno do FedNow como rail multi-uso.

Fontes: PYMNTSFederal ReserveABA Banking JournalFinzlyLet’s Money PodcastLet’s Money

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