O Federal Reserve disponibiliza em 28 de abril uma API de inteligência de rede para mitigação antecipada de risco no FedNow, enquanto o Fed consulta a abertura do serviço a pagamentos cross-border, movimento que pode redesenhar corredores de remessas com o Brasil.
FedNow: novos controles de segurança em 2026
Recurso
Status
Função
API de inteligência de rede
Disponível em 28/04 para early adopters
Avalia risco por dados históricos da conta
Verificação de nome do beneficiário
Em desenvolvimento
Confirma nome do recebedor antes do envio (FedDetect)
Pagamentos cross-border
Em consulta pública
Permitiria uso em remessas internacionais via correspondentes
Novos controles de segurança do FedNow Service. Fonte: Finextra
Dados históricos para pontuar risco antes do envio
A nova ferramenta fornece dados em nível de conta do beneficiário observados ao longo da rede FedNow e os enriquece com o histórico de transações acumulado desde o lançamento do serviço, em julho de 2023. Com isso, a instituição financeira recebe sinais de risco antes de completar a transação e pode decidir enviar, reter ou encaminhar o pagamento para revisão adicional.
“A API de inteligência de rede fornece insights de dados instantâneos em nível de rede que complementam os recursos de gerenciamento de risco existentes dos participantes […] antes que uma transação seja realizada”, disse Nick Stanescu, vice-presidente executivo e diretor executivo do FedNow Service. A ferramenta está em testes desde o outono de 2024; o lançamento de 28 de abril atende aos primeiros adotantes do serviço.
O FedNow também está desenvolvendo verificação de nome do beneficiário, recurso do pacote FedDetect que confirmaria se o nome do recebedor corresponde aos dados cadastrais da conta antes do envio. O mecanismo endereça um vetor frequente de fraude de push payment autorizado, em que vítimas são induzidas a transferir para contas de terceiros.
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A proposta que abre o FedNow para o mundo
Em 8 de abril, o Federal Reserve publicou proposta de alteração da Regulação J para permitir que participantes do FedNow usem intermediários na transferência de fundos. Hoje, tanto o originador quanto o beneficiário precisam ser clientes de bancos americanos, o que restringe o FedNow a operações domésticas. A proposta permite que um banco americano atue como correspondente de uma instituição estrangeira: a perna doméstica seria liquidada via FedNow e a perna internacional, fora do serviço, via acordos entre correspondentes.
A combinação de inteligência de rede com verificação de nome de beneficiário descreve o caminho que sistemas de pagamento instantâneo globais adotam para conter fraudes de push payment autorizado: camadas de dados históricos mais confirmação de identidade antes do débito. Vale acompanhar se o BC incorpora ferramentas equivalentes ao ecossistema Pix, especialmente diante do crescimento de golpes do tipo “conta errada” no Brasil.
A proposta de cross-border é a mudança mais estrutural: aprovada, torna o serviço um canal alternativo para corredores que hoje dependem de infraestrutura tradicional de mensageria internacional. Corredores de alto volume, incluindo Brasil-EUA, estariam entre os primeiros afetados. A questão operacional é saber em quanto tempo a aprovação da proposta se converte em conectividade real, e quais estruturas de cross-border hoje viáveis perderiam atratividade nessa janela.