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Femsa demite 250 da fintech Spin após aposta frustrada na Oxxo

Femsa demite cerca de 250 funcionários da Spin, carteira digital com 16 milhões de usuários, após a aposta em super app não encontrar proposta de valor no México.

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· 2 min

Atualizado em

A Femsa está demitindo cerca de 250 funcionários da Spin, sua carteira digital criada para operar dentro das 24 mil lojas Oxxo no México. Os cortes fazem parte de um pacote maior de 1.300 demissões em diversas divisões do grupo, incluindo varejo e engarrafamento da Coca-Cola Femsa.

Spin by Oxxo: os números

Métrica Valor
Usuários Spin 16 milhões (65% ativos)
Lojas Oxxo 24 mil no México
Demissões Spin ~250 funcionários
Demissões total Femsa ~1.300 em várias divisões
Queda tráfego Oxxo (Q4 2025) -0,6%

Fontes: Bloomberg Línea, El Financiero

Super app sem proposta de valor

Fundada em 2021, a Spin chegou a 16 milhões de usuários, com 65% de base ativa. Em 2024, foi separada como unidade independente. O modelo apostava na capilaridade da Oxxo para distribuir serviços financeiros à população sem conta bancária.

O CEO da Femsa, José Antonio Fernández Garza-Lagüera, que assumiu em novembro de 2025, descreveu a Spin como “uma fintech fenomenal”, mas admitiu que a empresa “ficou aquém em ajudá-la a torná-la uma ferramenta útil para trazer clientes para a loja”. Gilberto García, analista da Miranda Partners, foi mais direto: “O problema fundamental da Spin é não ter encontrado uma proposta de valor convincente, já que o conceito de super app ou carteira única não agrada aos consumidores mexicanos.”

A Femsa também adiou o pedido de licença bancária até ter mais tração em serviços de crédito ao consumidor, sinal de que a aposta em fintech está sendo redimensionada. O tráfego de clientes nas lojas Oxxo caiu 0,6% no quarto trimestre de 2025.

Competição com fintechs nativas digitais

A distribuição facilitada pela loja física não eliminou a necessidade de criar um produto que resolva um problema real e recorrente. Empresas como Nubank, que chegou a operar saques na Oxxo, além de Mercado Livre e Revolut, construíram presença no México com estratégias digitais nativas, sem depender de rede física para crescer.

A aposta da Femsa faz parte de um padrão regional: redes varejistas tentando capturar valor financeiro da base de clientes. A revolução fintech na América Latina tem mostrado que esse modelo funciona em alguns mercados e falha em outros, dependendo do grau de adoção digital e da competição já estabelecida.

O que observar

O recuo da Spin levanta uma questão para redes varejistas com fintechs próprias: capilaridade física não é diferencial se o produto digital não entrega valor autônomo. Bancos digitais consolidados devem aproveitar o vácuo no mercado mexicano de inclusão financeira. Vale acompanhar se a Femsa vai pivotar a Spin para um modelo mais restrito, como pagamentos de contas e recarga, ou se vai abandonar a ambicão de super app financeiro.

Fontes: Bloomberg LíneaEl Financiero

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