O crédito digital brasileiro fechou 2025 com R$ 53,8 bilhões liberados, um avanço de 51% em doze meses. O número vem do levantamento anual da PwC Brasil feito com a ABCD e marca o sexto ano seguido de alta, num período de juros altos e captação cara. E 82% desse crescimento nasceu da base de clientes que as fintechs já tinham.
Fintechs de crédito digital em 2025
| Indicador |
Número |
| Volume concedido |
R$ 53,8 bi (+51%) |
| Clientes pessoa física |
94,9 mi (Brasil e exterior) |
| Clientes pessoa jurídica |
mais de 72 mil |
| Consignado no setor privado |
47% das fintechs oferecem |
| Saldo em consignação |
R$ 15,8 bi (era R$ 1,7 bi em 2023) |
Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, da PwC e ABCD. Fonte: TI Inside
O consignado assume o protagonismo
A composição da carteira virou de ponta-cabeça. O crédito sem garantia, presente em 60% das ofertas em 2019, encolheu para 14% em 2025. Na direção oposta, o consignado para o setor privado já aparece em 47% das fintechs pesquisadas, contra 40% um ano antes. As carteiras de consignação, que somavam R$ 1,7 bilhão em 2023, encerraram o período em R$ 15,8 bilhões, mais de nove vezes o registrado em 2023. Boa parte do avanço se apoia em lastros recentes, caso do FGTS.
A guinada para linhas com garantia persegue taxas mais baixas e responde a exigências novas de segurança do produto, tendência que deve seguir firme em 2026. “Hoje as fintechs já não competem por taxa. Competem por serviço, atendimento, relevância para o cliente”, disse Willer Marcondes, sócio da consultoria Strategy&, do grupo PwC.
Regulação mais dura favorece os maiores
Para manter a competitividade, as empresas tiveram que se ajustar a um ambiente regulatório mais pesado. O piso de capital subiu e as normas mais duras de BaaS ergueram o pedágio de entrada, o que empurra a consolidação para as casas mais bem estruturadas. “A regulação ficou mais exigente, ao mesmo tempo em que o capital mínimo subiu. Nesse contexto, algumas fintechs podem ter dificuldade para se adaptar, mas muitas outras já estão capitalizadas e preparadas para esse novo ciclo”, afirmou o presidente da ABCD, Daniel Gomes.
A tecnologia acompanha esse amadurecimento. A inteligência artificial deixou o campo da promessa: 62% das casas já pesquisam ou constroem soluções de IA e 96% planejam adotá-las ou ampliá-las em até dois anos, a maior intenção registrada na série histórica. Logo atrás vem a cibersegurança, com 23% mirando novos aportes, também sob pressão do regulador. Entre os grandes, a automação avança, e um banco tradicional já automatiza a decisão do consignado com IA.
O que observar
O deslocamento para o crédito com garantia reduz risco, mas transfere a disputa para serviço e distribuição, em vez de preço. A pergunta é se as casas de menor porte conseguem absorver o novo custo de capital sem perder margem: o piso de capital agora mais alto, somado às regras de BaaS, tende a concentrar a originação nos participantes mais capitalizados, e vale acompanhar se isso acelera fusões e aquisições entre originadores. Na ponta PJ, o gatilho será a mudança nos tributos, sobretudo o split payment, que tende a consumir o colchão fiscal hoje usado como caixa de curto prazo e destravar demanda por linhas de financiamento ao longo de 2026.
Fontes: TI Inside • PwC Brasil