No FinTouch 2026, evento da ABFintechs que marcou os 10 anos da associação em São Paulo, o mesmo palco que apresentou agentes de inteligência artificial como infraestrutura teve um contraponto constante no discurso das fintechs: segurança. Pressionadas por uma onda de fraudes e por uma régua regulatória mais alta, empresas de identidade, biometria e infraestrutura transformaram proteção em argumento central.
A articulação mais direta desse contraponto veio da Nukk. Paulo Vieira, diretor executivo da empresa, alertou que “o uso indiscriminado da inteligência artificial acaba expondo uma série de brechas, uma série de possibilidades dentro das grandes organizações financeiras”. No setor financeiro, disse ele, o custo do erro é alto: “uma brecha de segurança não é só uma falha. Às vezes acaba inviabilizando o produto como um todo”. A resposta que a empresa levou ao evento foi incorporar IA “com governança e com segurança”.
O pano de fundo é concreto. Em 2025, dois ataques a prestadores de tecnologia que conectam o Banco Central às instituições financeiras desviaram recursos do Pix: mais de R$ 800 milhões via C&M Software, em junho, e cerca de R$ 710 milhões via Sinqia, em setembro. Foram episódios que mostraram como, mesmo regulado, o sistema ainda tem brechas. Giovanni Castilho, CTO da Teros, resumiu o clima ao dizer que “nós estamos num momento de aumento exponencial de fraudes”, com “bancos sendo invadidos, empresas sendo invadidas”. A empresa vende onboarding e verificação de identidade; a 4iDigital, especializada em biometria, aposta na identidade facial; e a Pagsmile levou ao evento o discurso de prevenção à fraude e à lavagem de dinheiro.
| Licença | Antes | Novo | Variação |
|---|---|---|---|
| ITP (iniciador) | R$ 1 mi | ~R$ 9 mi | +800% |
| IP (só conta digital) | R$ 2 mi | ~R$ 11 mi | +450% |
Novas regras de capital do Banco Central (Resoluções BCB 517 e 518), com transição gradual até 2028. Fonte: Let’s Money.
A régua regulatória acompanha o movimento. Para José Luiz Rodrigues, presidente do Conselho da ABFintechs, “a regulação está pesada, está forte”, e o Banco Central “subiu a régua por causa desses fatos todos que acontecem no mercado”. Ele projeta “uma redução no número de fintechs” por conta das novas exigências. As novas regras do Banco Central elevam o capital mínimo das fintechs em transição até 2028, e o setor se prepara para exigências mais duras de cibersegurança. O recado institucional veio também do novo presidente da associação, Sérgio Constantini, que citou “as novas regras de compliance, de Know Your Client, as novas regras de cibersegurança”.








