A FIS lançou a Embedded Banking Platform, sua primeira oferta de finanças embarcadas (embedded finance) feita sob medida para bancos. A plataforma deixa instituições dos EUA embutir contas e pagamentos direto no software que empresas usam para tocar o negócio, sem migrar para um portal bancário à parte.
Quem quer ampliar finanças embarcadas em 12 meses
| Porte da empresa |
Planeja ampliar em 12 meses |
| Middle-market |
79% |
| Receita abaixo de US$ 250 mi |
80% |
| Receita acima de US$ 1 bi |
63% |
Planos de ampliar finanças embarcadas em 12 meses, por porte de empresa. Fonte: PYMNTS Intelligence
Como o banco entra no software do cliente
Em vez de levar o cliente para um portal bancário separado, o banco se associa a um provedor de software vertical ou a uma fintech e embute suas capacidades de conta e pagamento dentro do produto do parceiro. A empresa cliente passa a abrir contas e movimentar dinheiro sem sair da ferramenta que já usa no dia a dia. Entre as capacidades previstas estão contas, emissão de cartões, contas a receber e a pagar e gestão de despesas.
A companhia estreia a plataforma com os bancos-piloto Cogent Bank, Commercial Bank of California e M&T Bank, por ora restrita a instituições dos EUA. Contas e pagamentos estão previstos para o quarto trimestre de 2026. “Os clientes dos bancos querem serviços bancários embutidos no software que usam para tocar o negócio todos os dias”, disse Jon Briggs, chefe global de soluções embarcadas e movimentação financeira da FIS. Para ele, o desenho deixa o banco no centro da relação enquanto mantém “o controle regulatório e a titularidade do cliente que definem o banco tradicional”.
A corrida pelas finanças embarcadas
A FIS chega ao segmento num momento de demanda crescente. Segundo pesquisa da PYMNTS Intelligence, 79% das empresas de middle-market e 80% das que faturam menos de US$ 250 milhões por ano planejam ampliar suas capacidades de finanças embarcadas em 12 meses. Entre as empresas com receita acima de US$ 1 bilhão, muitas já com estruturas mais maduras, o índice cai para 63%. No Brasil, o setor de finanças embarcadas mira US$ 18 bilhões até 2030.
Os pagamentos puxam esse movimento: 90% das fintechs pesquisadas pela PYMNTS Intelligence já oferecem pagamentos embarcados, a capacidade mais comum do setor. As motivações vão além da receita direta, 60% citam ganhar dados e insights sobre o cliente, 60% apontam diferenciação competitiva e 53%, alcançar novos clientes. No mercado brasileiro, a regulação do banking as a service (BaaS) também deve consolidar o número de provedores, redesenhando quem oferece a infraestrutura.
O que observar
O modelo coloca o banco como dono do relacionamento regulatório, mas depende do provedor de software para chegar ao cliente final. Vale acompanhar como se dividem receita e responsabilidade nessa cadeia: quanto o banco captura das transações que passam a fluir pelo software do parceiro e quanto fica com quem controla a interface. A pergunta operacional é se instituições de menor porte conseguem integrar a plataforma sem times próprios de engenharia.
Para provedores de software vertical e fintechs, a oferta abre a chance de embutir serviços bancários sem virar instituição financeira. Se a demanda medida pela pesquisa se confirmar, o teste será de execução: transformar planos de ampliar finanças embarcadas em produtos que empresas de fato usem no fluxo diário, e não em mais um recurso pouco adotado.
Fontes: PYMNTS • FIS • Let’s Money • Let’s Money