O CEO da FNB Corp., Vincent Delie Jr., aposta que bancos de médio porte vão superar os grandes em inovação com inteligência artificial. A tese: megabancos gastam bilhões em tecnologia, mas burocracia e sistemas legados travam a execução. A FNB, com US$ 50 bilhões em ativos, constrói desde 2016 uma plataforma digital que trata produtos bancários como e-commerce.
FNB em números: a estratégia Clicks-to-Bricks
| Indicador |
Dado |
| Produtos na plataforma eStore |
+50 (consumo e negócios) |
| Aplicações online (Q4 2025 vs Q4 2024) |
+300% |
| Logins online banking (jan/2026 vs jan/2025) |
+66%, recorde histórico |
| Receita 2025 |
US$ 1,8 bi (+10,5%) |
| Caixas interativos com atendimento remoto |
150 locais |
| Agências (projeção com expansão) |
380 (30 novas no Sudeste) |
Fontes: FNB Corp. e Banking Dive
eStore: banco como e-commerce
O conceito central da FNB é tratar o site do banco como uma loja online. A plataforma eStore permite que o cliente preencha uma única aplicação para acessar mais de 50 produtos de conta corrente, poupança ou crédito. O volume de aplicações online cresceu mais de 300% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. “Outros bancos não engajavam clientes do jeito que um varejista engaja”, disse Delie. “O site era uma tigela de espaguete de informações.”
O próximo passo é adicionar IA ao eStore. A FNB prepara para o final de 2026 ou início de 2027 uma ferramenta de insights que analisa transações, oferece visão completa do relacionamento do cliente e sugere produtos ou formas de melhorar o fluxo de caixa. O banco também está implantando caixas interativos combinados com o eStore em 150 locais, permitindo que o cliente compre produtos bancários com assistência humana remota. Enquanto grandes redes investem IA em infraestrutura de pagamentos, a aposta da FNB é aplicar a tecnologia diretamente na experiência de varejo.
Dados internos como vantagem competitiva
A FNB manteve campos críticos de dados on premises, construindo um hub de dados próprio que, segundo Delie, deu ao banco uma vantagem em iniciativas de IA e ciência de dados. “Gastamos muito tempo em governança de dados, construindo o hub de dados, levantando workstreams digitais para atender clientes”, disse o CEO. A receita da FNB em 2025 cresceu 10,5%, para US$ 1,8 bilhão, com despesas não financeiras de US$ 1 bilhão influenciadas em parte por investimentos em tecnologia. O banco não divulgou o valor exato investido em tecnologia.
Em paralelo, a FNB expande fisicamente. Desde setembro de 2025, o banco abre 30 agências no Sudeste dos EUA, focando em Charleston, Greenville (Carolina do Sul), Charlotte (Carolina do Norte) e Richmond (Virgínia), mercados em crescimento onde concorre com JPMorgan, PNC e Fifth Third. A estratégia é omnichannel: digital e presencial trabalhando juntos, não um substituindo o outro. Delie indicou que M&A não é prioridade agora. “Meu foco é garantir que possamos continuar crescendo organicamente”, disse.
O que observar
A tese de Delie desafia a suposição de que inovação em banking é monopólio de quem gasta mais. Se ferramentas de IA, incluindo assistentes de programação, realmente democratizam capacidades, bancos de médio porte com governança de dados bem construída podem se mover mais rápido que incumbentes com bilhões em orçamento de TI e décadas de sistemas legados. O teste será se a FNB consegue converter métricas de engajamento digital em receita incremental com a camada de IA sobre o eStore.
Vale acompanhar se o modelo de aplicação única para dezenas de produtos se replica em outros mercados. Para instituições financeiras de porte semelhante, a estratégia sugere que investir em hub de dados próprio e interfaces de e-commerce pode gerar retorno mais imediato do que tentar competir em escala de processamento com os megabancos.
Fontes: Banking Dive • FNB Corp. • Let’s Money