Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, avalia recomendar duas economistas para as vagas abertas no Comitê de Política Monetária (Copom) desde janeiro, segundo três fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela Reuters, que ressaltaram não haver decisão definitiva; a palavra final cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vagas no Copom: candidatas avaliadas e contexto
| Aspecto | Dado |
|---|---|
| Vaga 1 (Política Econômica) | Candidata avaliada: Cecilia Machado (BOCOM BBM, PhD Columbia) |
| Vaga 2 (Organização do SF) | Candidata avaliada: Marina Copola (diretora da CVM) |
| Atual diretora mulher no Copom | Izabela Correa (Cidadania e Supervisão, até 2028) |
| Se confirmadas: mulheres no Copom | 3 de 9 (inédito) |
| Histórico: mulheres na diretoria do BC | 6 de 142 diretores |
| Decisões com colegiado incompleto em 2026 | 3 reuniões com 7 de 9 membros |
Informações sobre as vagas abertas no Copom e candidatas avaliadas por Galípolo. Fonte: Valor Econômico
Candidatas e o precedente histórico
Para a Diretoria de Política Econômica, responsável por fornecer projeções e análises para as decisões de juros, as fontes apontam Cecilia Machado como principal candidata. Economista-chefe do banco BOCOM BBM, ela tem PhD em economia pela Universidade Columbia. A pasta vem sendo conduzida interinamente pelo diretor de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti. Para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro, Marina Copola, diretora da CVM e especialista em direito econômico e comercial, aparece como a candidata mais cotada. A vaga tem sido coberta interinamente pelo diretor de Regulação, Gilneu Vivan.
Caso as indicações avancem, o BC passaria a ter três mulheres no Copom pela primeira vez em sua história: Machado, Copola e Izabela Correa, atual diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, com mandato até 2028. O dado histórico é relevante: dos 142 nomes que já integraram a diretoria colegiada do BC, apenas seis foram mulheres. Galípolo tem adotado postura de comunicação cuidadosa sobre temas sensíveis da instituição, e o preenchimento das vagas se encaixa nesse padrão.
O BC já tomou três decisões de política monetária neste ano com apenas sete dos nove membros do colegiado, uma situação sem precedentes na história do comitê. A demora de Lula em formalizar as indicações contrasta com suas críticas à lei de autonomia do Banco Central de 2021, que teria reduzido sua influência sobre um colegiado herdado do governo anterior. As tensões com o Senado pesam no cálculo: no mês passado, o Senado rejeitou a indicação do então advogado-geral da União para o STF, maior derrota do governo no processo de confirmações. A CVM, de onde viria uma das candidatas, vinha operando com colegiado reduzido, mas o Senado aprovou duas indicações na semana passada, incluindo o novo presidente do órgão, reduzindo o risco de vácuo institucional na saída de Copola.








