O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o Pix não é a única ferramenta de pagamento instantâneo do mundo e que, com o tempo, deverá ser “aceito e incorporado”. A fala responde ao relatório do governo dos EUA que classificou o Pix como prática “injusta e discriminatória” contra empresas americanas e propôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
EUA x Pix: o que está em jogo
| Ponto |
Conteúdo |
| Acusação dos EUA |
Pix é “injusto e discriminatório” com empresas americanas |
| Medida proposta |
Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros |
| Argumento central |
Duplo papel do BC: regulador e dono/operador do Pix |
| Resposta do BC |
Pix será “aceito e incorporado”; processo de “evolução meio natural” |
Relatório do USTR sobre o Pix e resposta do BC, junho de 2026. Fonte: CNN Brasil
O que o relatório dos EUA alega sobre o Pix
O documento foi divulgado pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) e integra uma investigação comercial que mira práticas brasileiras. Segundo o relatório, o governo brasileiro e o Banco Central prejudicariam empresas americanas ao priorizar o Pix em relação a cartões de débito e crédito. O texto sustenta que o duplo papel do Banco Central, como regulador e ao mesmo tempo dono e operador do sistema, cria um conflito de interesses, e recomenda tarifa de 25% sobre produtos do país. O Let’s Money já mostrou que a investigação do USTR sobre o Pix tem audiência marcada para julho de 2026.
A resposta do Banco Central
Galípolo minimizou a crítica e enquadrou o Pix como parte de um movimento global. “O Pix não é o único que tem hoje. Vários países têm. Me parece que é um processo de evolução meio natural. A gente está vendo vários outros bancos centrais e autoridades tentarem seguir nesse movimento. Me parece que, com o tempo, terá que ser devidamente aceito e incorporado”, declarou o presidente do BC. Ele afirmou que o sistema está na “fronteira” do mais moderno.
O presidente da autoridade monetária disse ainda que o Banco Central tem disponibilizado funcionários para auxiliar nas explicações ao governo americano sobre a ferramenta. O argumento de que outros países seguem a trilha brasileira aparece também na expansão internacional do Pix pela América Latina, um dos eixos de exportação do modelo de pagamento instantâneo construído no Brasil.
O que observar
A disputa coloca dois modelos de pagamento frente a frente: o instantâneo de iniciativa pública e as redes privadas de cartão, que perdem espaço quando a transferência direta entre contas vira padrão. A pergunta que fica é como uma autoridade monetária responde a uma pressão comercial externa sem abrir mão do papel de operadora de uma infraestrutura pública. Vale acompanhar se a estratégia de cooperação técnica, de abrir dados e explicações ao outro governo, reduz o atrito ou apenas adia uma definição.
Para o ecossistema, o ponto sensível é o precedente. Se a régua de “tratamento preferencial” passar a valer para sistemas instantâneos operados por bancos centrais, reguladores que estudam modelos semelhantes em outros mercados podem recalibrar o desenho antes de avançar. O teste prático será a audiência prevista para julho e a eventual resposta tarifária, que medem até onde a infraestrutura de pagamentos entra na pauta de comércio entre países.
Fontes: Valor Econômico • CNN Brasil • Let’s Money