A Geração Z mais que dobrou o uso de carteiras digitais para compras no varejo entre março de 2024 e novembro de 2025, saltando de 15% para 36%, segundo pesquisa da PYMNTS Intelligence com 2.108 adultos nos Estados Unidos. O estudo mostra que o estresse financeiro está redefinindo como consumidores escolhem onde comprar e como pagar, com carteiras digitais se tornando ferramenta de controle de gastos, não apenas conveniência.
Carteiras digitais por nível de estresse financeiro (EUA)
| Indicador | Alto estresse | Baixo estresse |
|---|---|---|
| Wallet no supermercado | 21% | 8% |
| Wallet no varejo | 28% | 11% |
| Gasto médio (supermercado) | US$ 109 | US$ 95 |
| Gasto médio (varejo) | US$ 111 | US$ 88 |
Fonte: PYMNTS Intelligence, pesquisa com 2.108 adultos dos EUA (nov/2025)
Estresse financeiro como motor de adoção
O relatório “The New Checkout: Crimped Consumers Lean Into Online Retail and Digital Wallets” identifica que 17% dos consumidores americanos tiveram falta de dinheiro para despesas básicas ou emergências nos últimos 90 dias. Esse grupo não está cortando gastos de forma indiscriminada: está reorganizando onde e como compra. Consumidores sob pressão financeira são mais de duas vezes mais propensos a usar carteiras digitais do que os de baixo estresse, tanto em supermercados (21% contra 8%) quanto no varejo em geral (28% contra 11%). A carteira digital deixou de ser sobre velocidade no checkout e passou a funcionar como instrumento de controle de fluxo de caixa, rastreamento de gastos e acesso a parcelamento.
A pressão é desigual entre gerações. O estresse financeiro subiu apenas 3 pontos percentuais na média geral entre março de 2024 e novembro de 2025, mas saltou 12 pontos entre a Gen Z, 8 pontos entre millennials e 9 pontos entre pais com filhos em casa. A escolha de varejista também reflete essa pressão: consumidores sob estresse são 34% menos propensos a comprar na Amazon e quase três vezes mais propensos a comprar na Target, indicando uma reorganização ativa por percepção de valor. No Brasil, a dinâmica de adoção de carteiras digitais é ainda mais avançada: o Pix por aproximação via NFC já está disponível em apps bancários, e pesquisas recentes mostram que a Gen Z brasileira poupa mais que gerações anteriores, com o celular como principal ferramenta de gestão financeira. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Antonio, cofundador da NG.Cash, revelou que “menos de 10% da Gen Z tinha feito o primeiro Pix” em 2022, segundo dados do Banco Central. De lá para cá, a geração se tornou uma das que mais adota pagamentos digitais.









