A Genial começou a deixar que seus clientes apliquem em renda fixa sem sair do WhatsApp, usando a Gê, sua assistente financeira movida a inteligência artificial. A corretora afirma que a ferramenta já reúne 100 mil usuários e que, na frente Digital, um a cada quatro clientes recorre a ela, tudo em menos de doze meses de operação.
A Gê em números
| Indicador |
Dado |
| Clientes usando a Gê |
100 mil |
| Penetração no segmento Digital |
1 em cada 4 clientes |
| Tempo de operação |
Menos de 1 ano |
| O que já dá para investir |
Renda fixa: Tesouro Direto, papéis primários e mercado secundário |
Dados informados pela Genial. Fonte: TI Inside
O que a Gê passa a fazer
Até agora, a assistente resolvia consultas, transferências via Pix e pagamentos. O que muda é a aplicação por conversa: dá para comprar títulos do Tesouro Direto, papéis de emissão primária e ativos negociados no mercado secundário direto no chat. A Genial diz que a Gê fica disponível 24 horas, sugere oportunidades conforme o perfil de cada investidor e dispara recomendações todos os dias.
“As pessoas têm cada vez menos tempo e querem investir ou realizar outras transações financeiras de forma rápida e segura […] muda o padrão de conveniência”, afirmou Ana Clara Rodrigues, CTO da Genial Investimentos, à TI Inside. O movimento segue a mesma direção de bancos que levaram a conversa para dentro dos aplicativos de mensagem, como o Banco do Brasil, que lançou plataforma de IA para transformar o atendimento em conversas.
A disputa por canais conversacionais
Colocar operação financeira no WhatsApp virou frente comum entre instituições brasileiras. O Banco BV lançou Pix no WhatsApp para transferências sem abrir o app, e a Genial vinha ampliando sua atuação para além da corretora, tendo lançado uma divisão de crédito consignado como motor de crescimento.
O plano declarado é ampliar o leque de produtos ainda neste ano, saindo da renda fixa para outros tipos de aplicação. A corretora também estuda ofertas desenhadas só para quem usa a assistente, como um CDB restrito a esse público. Para medir o resultado, diz olhar volume movimentado, quantidade de operações e aplicações concluídas no canal.
O que observar
O que merece atenção é o deslocamento da decisão de investir, que sai de uma tela de aplicativo e passa para uma conversa proativa. Vale acompanhar como corretoras e bancos digitais que levam a aplicação para dentro da mensageria vão equilibrar conveniência e adequação de produto, já que ofertas diárias enviadas por perfil aproximam a recomendação do gatilho de compra.
A pergunta que fica é sobre a régua de suitability nesse formato: se o consentimento e o alerta de risco cabem numa troca de mensagens com a mesma clareza que numa jornada de app, e como o regulador de mercado de capitais vai enxergar oferta ativa de investimento por canal conversacional. O teste será a expansão para classes de ativos de maior risco, prevista pela própria instituição.
Fontes: TI Inside • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money