Gestores creditam à IA a vantagem do Nubank em crédito
Gestores em painel do Santander atribuem à IA a eficiência do Nubank no crédito. No 2º tri, o índice de eficiência ficou em 19,5%, contra 37,4% do Itaú.
Gestores de recursos atribuíram à inteligência artificial a maior eficiência aparente do Nubank na concessão de crédito, em painel da conferência anual do Santander, em São Paulo. Para a Absolute, essa eficiência é de duas a três vezes a dos bancos incumbentes. O balanço do segundo trimestre de 2026 dá a medida do contraste.
“A eficiência do Nubank é de duas a três vezes maior do que a dos bancos [incumbentes] e ele é enorme no segmento”, comentou Christian Faricelli, sócio e gestor da Absolute, em painel reportado pelo Valor Econômico. “Como é grande, achei que ia tender para a média do mercado. A IA está ajudando ou a gente não está enxergando algo lá na frente.”
Christian Keleti, sócio-fundador e gestor da AlphaKey, ligou o ganho à base de dados. “O Nubank tem inadimplência maior que a média do mercado e as pessoas estão preocupadas com isso, com índices de 7% a 8% [de atrasos], só que ele não tem agência, o custo de servir é mais baixo do que outros, a produtividade é maior”, afirmou. Segundo ele, a inteligência para conceder crédito é aparentemente melhor e captura ganhos.
A leitura chega num trimestre em que o crédito voltou a pressionar os balanços dos bancos tradicionais. A inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil subiu 1,65 ponto percentual em 12 meses, para 5,61%, ante 4,3% do Bradesco, 3,3% do Santander e 1,9% do Itaú. No cartão do BB, o atraso praticamente dobrou em três meses, puxado por uma modalidade de parcelamento automático da fatura sem entrada. O lucro do banco caiu 34,2% no semestre, com pressão vinda de pessoa física.
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A aposta do Nubank em IA no crédito
O Nubank comprou a Hyperplane, empresa de inteligência de dados e aprendizado de máquina baseada no Vale do Silício, em junho de 2024, na primeira aquisição desde o IPO de 2021. Na ocasião, o CEO David Vélez resumiu a lógica ao Brazil Journal: “70% de todo o profit pool global dos bancos está em crédito, então a decisão de crédito é um ponto-chave”.
Os números recentes ajudam a explicar o interesse dos gestores. No segundo trimestre de 2026, o banco digital passou de US$ 1 bilhão de lucro pela primeira vez, com carteira de crédito de US$ 39,4 bilhões, alta de 37% em 12 meses, e índice de eficiência de 19,5%. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,9%, enquanto a faixa de 15 a 90 dias, indicador antecedente, recuou para 4,8%. Para o JP Morgan, a fintech pode passar o Itaú no varejo em 2026, enquanto o Itaú bateu recorde de lucro no trimestre, com R$ 12,4 bilhões.
Faricelli acrescentou que, nos canais de atendimento, a IA tende a ser muito melhor do que o ser humano em atividades como as de assessores financeiros e em tarefas de middle e backoffice. Ainda assim, disse, em geral é difícil mensurar os ganhos da inovação observada em diversos setores.
O que observar
A tese dos gestores é testável em dois indicadores. O primeiro é o custo de servir: instituições digitais sem rede de agências operam com índice de eficiência perto da metade do observado em bancos de grande porte, e a pergunta é quanto desse diferencial vem da estrutura enxuta e quanto vem de modelos de decisão treinados sobre dados de comportamento. O segundo é a qualidade da safra: carteiras que crescem acima de 30% ao ano com inadimplência mais alta que a média só sustentam a comparação se a margem ajustada ao risco continuar subindo.
Do lado dos incumbentes, vale separar ciclo de política de crédito. Quando a deterioração se concentra em uma modalidade específica de parcelamento no cartão, e não no conjunto da carteira, o problema tende a ser de desenho de produto, com correção mais rápida. Se os próximos trimestres mostrarem bancos de varejo tradicionais cortando limites nessas modalidades enquanto as carteiras digitais seguem crescendo, o argumento da decisão automatizada ganha corpo. Se o atraso acelerar nos dois grupos ao mesmo tempo, a explicação volta a ser o perfil do cliente e o ciclo de juros.